Boletim Nº7, Janeiro – Abril de 2016

A IMPRENSA E A POLÍTICA EXTERNA DO GOVERNO ROUSSEFF

Foi pequena a proporção de formadores de opinião que apoiou publicamente a política externa do governo de Dilma Rousseff no primeiro quadrimestre de 2016. O percentual dos que o fizeram variou segundo os diferentes veículos.

Nosso termômetro
CEBRAP indica:

%

de artigos favoráveis
à Política Externa.

Confira abaixo a posição frente à política externa de articulistas e editorialistas de diferentes jornais:

  • Favoráveis 18.2%
  • Neutros 27.3%
  • Contrários 54.5%

por Meilian Higa Lee

Confira a análise do veículo do jornal O Globo

No primeiro quadrimestre de 2016, o jornal O Globo manteve seu tom de oposição sobre a atual política externa. Dos 22 artigos encontrados, 12 foram contrários e apenas quatro a favor. O grande assunto foi o protagonismo presidencial e, em menor destaque, temas relacionados à política externa comercial e relações bilaterais. As críticas se concentraram majoritariamente na diplomacia presidencial no contexto da repercussão do impeachment ao exterior. Segundo os autores de artigos e editoriais, o governo estaria transformando uma discussão interna em tema de agenda diplomática ao argumentar a ilegitimidade do processo de impeachment. Criticou-se também o apoio dado à Dilma Rousseff pelos governos bolivarianos e por organismos internacionais, como a OEA e CEPAL. Deste modo, a imagem e a credibilidade do Brasil seriam ainda mais prejudicadas juntamente com sua importância na política global. Em menor número de artigos publicados, criticou-se a política externa comercial, com a diplomacia brasileira paralisada pelo viés ideológico que a autolimitaria ao MERCOSUL. Outras críticas disseram respeito ao baixo perfil das relações com Israel, à dependência econômica com a China e às relações com Angola, um país de governo ditatorial. O Itamaraty, que muito foi criticado por se omitir sobre a crise venezuelana, recebeu elogios ao emitir nota condenando a arbitrariedade do judiciário da Venezuela. O jornal e seus colaboradores foram favoráveis à Lei Antiterrorismo, vista como necessária para a segurança dos Jogos Olímpicos. Também, deram apoio à ação do Brasil nas negociações climáticas. Com a crise política, assuntos exteriores perderam relevância na imprensa, sendo retomados, sobretudo, quando a presidente fez uso da diplomacia presidencial. Apesar do superávit das contas externas, os articulistas apoiam maior abertura econômica para integração do país nas cadeias globais e clamam por mais acordos comerciais bilaterais, principalmente com as potências EUA e União Europeia.

  • Favoráveis 15.8%
  • Neutros 26.3%
  • Contrários 57.9%

por Camila Schipper

Confira a análise do veículo do jornal Estadão

No 1º quadrimestre de 2016, a política externa brasileira foi tema pouco presente no jornal Estado de S. Paulo (19 artigos e editoriais). O jornal exibiu posição preponderantemente contrária à ação externa do governo Dilma (11 artigos e editoriais). Neste período, destacaram-se propostas de reformas, que explicam os 5 artigos e editoriais neutros frente ao governo atual. A posição contrária centrou-se na diplomacia presidencial vista como responsável pela “ideologização” da política externa brasileira. Por exemplo, os pronunciamentos da OEA, UNASUL e de membros do MERCOSUL contra o processo de impeachment da presidente Dilma teriam sido influenciados pelo uso da diplomacia presidencial para prejudicar a imagem do Brasil no cenário internacional. A política econômica adotada também é condenada; editoriais e articulistas defendem uma reforma do MERCOSUL. Destes artigos e editoriais críticos à atuação externa do governo brasileiro, 4 são favoráveis ao estreitamento das relações com EUA e 5 são contrários ao que é percebido com simpatia pelo governo Já os 3 artigos e editoriais favoráveis à política externa atual tratam de assuntos relacionados a negociações multilaterais: acordo nuclear do Irã e posição do Itamaraty; aprovação do Acordo de Facilitação do Comércio da OMC e compromisso sobre mudanças climáticas. Eles reforçam uma visão favorável ao Ministério das Relações Exteriores e defendem o protagonismo internacional do Brasil. Por outro lado, os editoriais e artigos neutros reforçam a necessidade de reformas, ao mesmo tempo em que se fortalece o protagonismo do país. Incluem mudanças na condução da política externa na América do Sul, nas relações com EUA, na participação do Brasil no Fórum Econômico de Davos. Em suma, as crises política e econômica do Brasil produzem impactos relevantes na percepção sobre a política externa, seja pela oposição à diplomacia presidencial atual, seja por propostas de reformas em sua agenda. O Estado de S. Paulo mantém a defesa do universalismo e a retomada de protagonismo do Itamaraty, bem como a defesa de negociações comerciais bilaterais e plurilaterais.

  • Favoráveis 100%
  • Neutros 0%
  • Contrários 0%

por Camila Schipper

Confira a análise do veículo do valor econômico

No 1º quadrimestre de 2016, o jornal Valor Econômico publicou com apenas 2 artigos sobre política externa, mas especificadamente sobre política comercial. Ambos expressam opinião neutra, mas enfatizam a necessidade de reformas. Além disso, convergem na defesa de negociações plurilaterais norte-sul, principalmente com EUA e União Europeia, bem como a um maior protagonismo do país através dessas negociações. Um dos temas importantes são as estratégias que o Brasil deve adotar após as negociações da OMC em Doha, sinalizando para negociações bilaterais e plurilaterais e novos modelos regulatórios. Outro artigo inclui o potencial das negociações plurilaterais no âmbito do MERCOSUL com a União Europeia diante de um cenário de reformas econômicas na Argentina e de crise na economia brasileira. Desta forma, o Valor Econômico propõe uma nova política comercial para o Brasil, pautada no fortalecimento das relações norte-sul, do universalismo nas negociações e no protagonismo internacional do país.

  • Favoráveis 22.2%
  • Neutros 33.3%
  • Contrários 44.4%

por Dan Novachi

Confira a análise do veículo do jornal O Globo

Ao longo do 1º quadrimestre de 2016, a Folha de S.Paulo publicou 36 artigos e editoriais tratando da política externa brasileira. Em comparação com o quadrimestre anterior, houve uma queda de aproximadamente 50% no número de artigos., A turbulenta fase que o Brasil tem atravessado, marcada pela combinação de crises política e econômica, parece explicar a forte introspecção na sociedade brasileira, refletida no jornal. A posição desses artigos e editorias, em relação à política externa do governo Dilma, foi majoritariamente contrária (16 publicações). As críticas fizeram referência, de forma geral, à atitude passiva e tolerante do Brasil diante do que foi chamado “golpe judicial e eleitoral” na Venezuela; ao descrédito do país no Fórum de Davos; à falta de políticas para combater a deterioração da imagem brasileira no exterior por conta da crise interna e da epidemia de Zika; ao fracasso do Mercosul e perda de protagonismo brasileiro na região sul americana; e ao fraco relacionamento entre Brasil e Ásia. A diplomacia presidencial também foi mal avaliada na maioria dos artigos. Cabe ressaltar, por exemplo, as críticas feitas à ausência da presidente no Fórum de Davos e sua ida de Dilma à ONU a fim de, supostamente, denunciar o processo de impeachment, do qual está sendo alvo, como golpe. Os artigos e editoriais que tiveram posição neutra (12 publicações) sugeriram reformas e medidas para lidar com os desafios da cena internacional. Dentre os artigos e editoriais favoráveis à política externa brasileira no período (8 publicações) ganharam destaque os seguintes acontecimentos: a nota do Itamaraty criticando abusos na Venezuela e a recusa do Brasil em receber Dani Dayan como embaixador de Israel. As opiniões expressas pelos editorialistas e articulistas da Folha de S.Paulo, no período, defenderam o universalismo em detrimento do regionalismo, e mantiveram a tendência à preferência pelas negociações de comércio bilaterais e plurilaterais. Além disso, houve uma exortação a um maior protagonismo brasileiro, sobretudo por meio da ação do Itamaraty, em busca de melhoria da imagem externa e de soluções à crise econômica.

Resumo dos assuntos tratados nos artigos

A imprensa de opinião e as grandes linhas de ação internacional do Brasil

Os artigos, editoriais e entrevistas de especialistas, embora muito críticos com relação à condução política exterior, parecem concordar o que tem sido suas grandes linhas de atuação. A abertura para o exterior, que chamamos de globalismo; a busca da diversificação das relações com países situados em diversas partes do mundo, que denominamos universalismo; a opção pelo multilateralismo’a presença ativa na região por meio do MERCOSUL e da UNASUL; e relações mais próximas com os Estados Unidos são opções de longo curso da política externa, que contam com apoio significativo entre os principais órgãos de imprensa e seus colaboradores.

Orientações Gerais da Política Externa – Preferências da Imprensa

  • Nacionalismo (1) 1.72%
  • Globalismo (57) 98.28%
  • Regionalismo (3) 5.88%
  • Universalismo (48) 94.12%
  • Unilateralismo (1) 2.22%
  • Multilateralismo (12) 27.91%
  • Unasul – Favorável (0) 0%
  • Unsasul – Contrário (3) 100%
  • Mercosul – Favorável (2) 22.22%
  • Mercosul – Contrário (7) 77.78%
  • EUA – Favorável (8) 100%
  • EUA – Contrário (0) 0%

Sobre o projeto

Hoje, a imprensa escrita é, a um só tempo, arena e protagonista de um debate informado sobre a política exterior do país. Por esta razão, o CEBRAP decidiu acompanhar o que pensam e dizem sobre o tema os principais órgãos da imprensa escrita, como protagonistas, em seus editoriais, e como meio, nos artigos assinados por seus colaboradores permanentes e eventuais.

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