Trabalho e Emprego: Comparação Internacional entre Trajetórias de Atividade Feminina (Alemanha, França, Brasil)

As trajetórias da atividade feminina podem ser entendidas como uma resultante do cruzamento entre três determinantes: o status do emprego, o conteúdo do trabalho e as relações sociais de gênero; tal entrecruze se faz de modo particular em diferentes contextos nacionais. Essa foi a hipótese de trabalho que procurei verificar na minha tese de doutorado sobre trabalho feminino na França e Alemanha e que me propus a aprofundar ao ampliar para o Brasil o âmbito da comparação internacional, realizando em São Paulo um novo estudo sobre o trabalho feminino. Tal estudo foi desenvolvido de modo integrado ao projeto de pesquisa “Gestão local, empregabilidade e equidade de gênero e raça: uma experiência de política pública na região ABC paulista” (Cebrap/Ceert/Elas/PMSA, patrocinado pela Fapesp). A pesquisa procurou analisar a influência do status social do emprego sobre o trabalho, e buscou explicar a relação das mulheres com seu trabalho num contexto histórico nacional e organizacional específico. Dessa forma, observei diferentes tipos de emprego e sua influência no conteúdo do trabalho a partir das trajetórias de atividade concretas das mulheres; isso importou em estudar as seqüências dos vários empregos com diversos status, períodos de inatividade ou de atividade parcial e a natureza variável do trabalho ao longo dessas seqüências.

A comparação internacional serviu de eixo para revelar aquilo que poderia ser explicado pela especificidade dos diferentes contextos nacionais, aí incluindo a natureza das relações sociais de gênero. O projeto sustentou-se em dois juízos de partida. Primeiro, o de que as normas sociais relativas ao trabalho, variáveis de acordo com os diferentes contextos nacionais, exerciam importante influência sobre a maneira como as mulheres representavam seu próprio trabalho. Segundo, o de que o modo como as mulheres se representavam no próprio emprego e a maneira como elas se apropriavam do conteúdo de seu trabalho – e conseqüentemente o transformavam – influía nas suas trajetórias profissionais e, nesse sentido, no seu comportamento em relação ao trabalho, entendido como a disposição para exercer (ou não) um emprego assalariado. Para testar a validade de tais juízos, realizei um conjunto de entrevistas semi-estruturadas, versando sobre os temas da trajetória sócio-profissional e da vida familiar de trabalhadoras subalternas (emprego formal, informal, à domicílio) ocupadas em empresas terceirizadas da área de telemática, localizadas na região do ABC paulista. A comparação dos resultados dessas entrevistas com a pesquisa já desenvolvida na França e Alemanha permitiu elucidar com maior clareza o modo como as normas sociais influenciam a maneira como essas mulheres se representavam no próprio emprego; bem assim, permitiu entrever em que medida essas mesmas normas eram influenciadas pelas próprias representações femininas sobre seu trabalho.

Projeto Cebrap ao qual se articulou
“Gestão local, empregabilidade e equidade de gênero e raça: uma experiência de política pública na região do ABC paulista”. Programa Fapesp/Políticas Públicas, (Proc. Fapesp N. 98/14044-8).

Pesquisadores: Isabel Pauline Hildegard Georges

Informações

Fapesp (Proc. n. 01/10162-0)

Período

1 de dezembro de 2001 a 30 de junho de 2005

Anexos

Pesquisadores