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30/06/2013

Onda de protestos inspira programação extra na Flip: Marcos Nobre participa de debate no sábado, dia 6

Do site da Flip 2013


Acompanhando as manifestações que tomaram as ruas do país nas últimas semanas, a Flip preparou uma programação extra sobre as recentes movimentações políticas que mobilizam o cenário nacional. Reunindo pensadores de diversas áreas, três mesas foram incorporadas à programação da Tenda dos Autores, com retransmissão ao vivo para outros locais de Paraty e via internet por aqui. Nomes como Vladimir Safatle, André Lara Resende, T.J. Clark, Juan Arias e Marcos Vinicius Faustini participarão dessa série especial.

(...)

No sábado às 21h30, um terceiro e último debate coloca em pauta a insatisfação generalizada com a classe política brasileira. A má qualidade dos serviços públicos e a incapacidade do Estado para responder às demandas da população indicam um descompasso entre as necessidades do povo e a atuação de seus representantes. Quais são as características particulares da relação entre sociedade, Estado e classe política no Brasil? Como os processos de formação da democracia brasileira, a partir do fim da ditadura, podem ajudar a compreender o atual momento político? Dois dos mais importantes intelectuais brasileiros discutem essas questões e tentam iluminar os acontecimentos que deixaram muitos analistas perplexos: o economista André Lara Resende, ex-presidente do Banco Central e do BNDES, e um dos formuladores do Plano Real; e o filósofo Marcos Nobre, professor da Unicamp e estudioso da cena política brasileira, autor do recém-lançado Choque de democracia: razões da revolta.

Sábado, 21h30, programação FlipMais

O Povo e o poder no Brasil

Marcos Nobre e André Lara Resende

Mediação William Waack

Tenda dos autores: R$ 12

30/06/2013

"Novo, mas nem tanto". Artigo de Angela Alonso, no Estadão

Fenômeno nas ruas impõe aos analistas humildade diante daquilo que ainda está em "movimento"


Nelson Mandela simboliza um tipo de movimento social que fez história no século 20, com liderança fixa e causa clara. O movimento que tomou o Brasil nas últimas semanas é assim? "Rebelião", "revolução", "o povo acordou" - a variedade de termos testemunha a dificuldade explicativa. Há na mesa perguntas singelas, nem por isso de resposta trivial: o que, como, onde, quem, por quê.

O quê. Trata-se de movimento social. Manifestações públicas repetidas no espaço público por grande número de pessoas em desafio ao Estado (sem visar o poder, à diferença dos movimentos revolucionários) e em nome de ampliação de direitos de dada população, para usar a definição de Charles Tilly. Em levantamento preliminar, houve pelo menos 174 eventos deste tipo pelo país, 32 deles com mais de 5 mil presentes. Movimento tem fronteira fluída, gente entrando e saindo, flutuação de lideranças, mas não é rede virtual. Exige presença massiva e compromisso, do que apenas se tem certeza no confronto com a polícia, adversário inevitável, pois movimentos exploram o terreno do que é ilegal, mas legítimo. A repressão é sua prova de fogo: se reflui ou arrebata mais aderentes.

Movimento novo? Aí entra o "como". Há mudanças de repertório. As tecnologias digitais proveem comunicação, organização, propaganda instantâneas. E nova linguagem: os sites do movimento são imagéticos e sintéticos, recusam a verborragia e a estética da velha esquerda. A internet dá o parâmetro das manifestações, simultâneas em vários pontos, multiplicadas como as janelas do Windows. Policêntricas, grupos que se coordenam e se separam, sem rosto que os represente. Mas nem tudo é novo. O movimento não é apenas virtual - no Facebook, vale-se de velho método, a passeata. Usa o repertório de antecessores. O verde e amarelo nas faces e chamamento a uma cor nas roupas e janelas, como no impeachment de Collor. Recorre aos pontos de maior circulação das grandes cidades - Paulista, Brigadeiro, Sé - e aos símbolos nacionais, a Bandeira, o Hino, como no Diretas-Já.

Outra pergunta é sobre "quem". São comuns em movimentos os estudantes e os profissionais liberais altamente escolarizados de profissões mais novas. Mas movimentos sociais são sobretudo transclassistas. Quanto mais ampla a bandeira, mais variada a adesão. Foi o que se viu: até Paulo Skaff, da Fiesp - alvo das manifestações dos anos 1980. O vasto apoio tem a ver com a reação das autoridades. A mídia dividiu entre "pacíficos" e "vândalos", como se a forma da mobilização (o uso da violência) decorresse do caráter dos mobilizados. Contudo, desde as primeiras manifestações, em 25 e 27 de março, em Porto Alegre, e, em contagem imprecisa, em pelo menos 42 outras pelo País, a resposta foi policial. Estratégias de movimento e governo são especulares, precisam ser entendidas uma por relação a outra. Tratar manifestantes como criminosos suscitou o apoio de cidadãos que doutro modo não teriam se manifestado.

Tipicamente movimentos sociais surgem em crises políticas, vide o Egito. Aqui acontece em normalidade democrática e econômica e fora de período eleitoral. O movimento é mais causa que consequência de uma crise. Circunstância que dificulta responder "quando" e "por quê". Uma hipótese é o esgotamento do ideário socialista como orientador de movimentos; grupos com esse pendor viraram partidos (PSTU, PSOL, PCO, etc). Já causas "modernas", como a ambientalista, suscitam pouco apetite para o protesto, mais afeitas à "onguização". Há um vácuo e nele a mobilização se construiu como forma "moderna" com causa "antiga". Contra a tese de Touraine da substituição de pautas redistributivas por "pós-materiais", o estopim do protesto foi questão tangível, o transporte público.

Outra dimensão é a mudança geracional. Os jovens nas ruas cresceram em contexto democrático e sob economia estável. Não veem o Brasil sob o prisma da ditadura e da inflação, veem um Estado sem agilidade para responder às suas expectativas - tanto políticas como de consumo. E sofrem o efeito demonstração das mobilizações massivas na esfera internacional.

Terceiro elemento: a mudança na relação Estado/movimentos sociais. Enquanto Lula incorporou pautas e até ativistas dos movimentos, o governo Dilma se pretende "mais técnico", dialoga pouco: o protesto vira estratégia mais viável que a negociação.

Paradoxalmente, o problema do movimento passou a ser seu sucesso. Autoridades se acuaram e responderam atabalhoadamente. Vitória, mas e agora? O movimento tem dificuldade de controlar o imenso contingente que chamou às ruas e que não foi, à moda antiga, socializado nos mesmos métodos nem obedece a um único megafone. A horizontalidade da organização exibe seu preço: a perda do controle da mobilização. Vários movimentos há muito organizados - à esquerda e à direita - aderiram e trouxeram consigo as próprias bandeiras e métodos.

Grandes movimentos pendem, no longo prazo, para a partidarização, caso do movimento verde na Alemanha, e, no curto, para a expansão de demandas, o que se vê aqui na adição de educação, saúde, anti-homofobia, PEC 37, corrupção. Pauta que Executivos nacional, estaduais e Congresso, atarantados no início, fagocitaram essa semana. Especulações futuristas abundam, mas a lição que o fenômeno impõe aos analistas é de humildade diante do que não se cristalizou, do que ainda está em "movimento".

PROFESSORA DO DEPARTAMENTO DE SOCIOLOGIA DA USP E DIRETORA CIENTÍFICA DO CEBRAP

Fonte: O Estado de S. Paulo. Publicado em 30/06/13

28/06/2013

Sem respostas satisfatórias, pessoas voltam às ruas, aponta Marcos Nobre. No Globo News

Para professor de Filosofia Política, havia ondas dentro da mesma passeata.
Segundo estudioso das redes sociais, a insatisfação com sistema é difusa.

Há três semanas, milhares de manifestantes tomaram as ruas do país com reivindicações de todos os tipos. Para o professor de Filosofia Política da Unicamp Marcos Nobre, que participou de quatro protestos em São Paulo, havia ondas dentro de uma mesma passeata. “Dependendo de onde a pessoa estivesse, ela vivia uma passeata diferente. Cada um tinha que fazer a sua manifestação”, destaca o especialista.

Segundo ele, os governantes ainda estão tentando entender os protestos. “Não tem o formato clássico da manifestação organizada por um partido. Não tem palanque, não tem liderança”, diz Nobre. Ele aponta que há conflitos de entendimento entre os poderes e os níveis de governo e que ainda não se sabe como canalizar as reivindicações para o sistema político. “Se essas respostas não forem minimamente satisfatórias, as pessoas voltam para as ruas”, avalia, destacando que a grande lição das manifestações é mostrar que democracia não se dá apenas no voto.

Estudioso das redes sociais, Augusto de Franco acredita que mesmo quem estuda a área foi surpreendido com o tamanho e a abrangência dos protestos. “Dava para sentir que havia uma interatividade crescente nas mídias sociais, mas a gente não conseguia ver o que estava acontecendo nas redes sociais”, afirma, explicando que as redes sociais são as pessoas interagindo, e não as ferramentas usadas para essa interação.

Para Franco, o fato de os políticos procurarem as principais reivindicações e os organizadores demonstra que eles não entenderam o caráter social da manifestação. “Isso é um fenômeno que vem acontecendo com certa frequência no século XXI. É o metabolismo da rede social, não é uma coisa para obter um resultado. Há uma insatisfação difusa com o sistema”, afirma.

Confira matéria completa do programa Entre Aspas no site da GloboNews. Publicado dia 28/06/13

28/06/2013

Flip prepara novas mesas para debater onda de manifestos. Na Folha

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontece de 3 a 7 de julho, resolveu ampliar sua programação devido aos protestos que acontecem por todo o país. A organização prepara pelo menos três mesas sobre o tema, cujas formações devem ser anunciadas até o final da semana.

Um dos confirmados para essa programação extra é o historiador de arte americano T.J. Clark, convidado também da Tenda dos Autores. Na programação principal, ele fala sobre "Guernica", o quadro de Picasso, mas terá no debate sobre os manifestos a chance de aprofundar o tema de seu recém-lançado "Por uma Esquerda sem Futuro" (Editora 34).

Outros nomes confirmados são o do psicanalista Tales Ab'Saber e o do filósofo Marcos Nobre --este lança, nesta quinta (27), o ensaio "Choque de Democracia: Razões da Revolta", apenas como e-book, pelo selo Breve Companhia, da Companhia das Letras.

Fonte: Folha de S. Paulo. Publicado em 26/06/13

27/06/2013

'Revoltas de junho' vêm do vácuo da oposição, aponta livro de Marcos Nobre. Na Folha

CASSIANO ELEK MACHADO
DE SÃO PAULO

 

Segundo os cálculos do professor de filosofia Marcos Nobre, 48, nos últimos dez dias ele dormiu um total de 40 horas. No resto do tempo, ele escreveu um livro.

"Choque de Democracia" é a primeira obra publicada sobre o que ele chama de "as revoltas de junho", os movimentos de rua que continuam acontecendo pelo país.

O trabalho inaugura um novo gênero editorial no país. Aquilo que os americanos chamam de "instant books", livros feitos em tempo recorde para tratar de um fato de grande destaque na sociedade, já existia, mas o trabalho de Nobre abre a série dos "instant e-books".

A obra sairá só em formato eletrônico, à venda nas principais livrarias virtuais, como Amazon, Kobo e Apple Store, a partir de hoje.

Ela inaugura o selo de "instant e-books" (obras sobre temas "do momento", lançados só em versão eletrônica) da editora Companhia das Letras, o Breve Companhia.

"Choque de Democracia" é, como ilustra seu subtítulo, "Razões da Revolta", um ensaio que analisa como a história política recente do país levou, ou ajudou a levar, aos protestos recentes.

Um dos termos centrais do texto, que tem extensão de 35 páginas, é "pemedebismo", conceito cunhado por Nobre há alguns anos.

Embora a palavra, que se refere ao arranjo institucional para a manutenção do poder, tenha sido batizada em homenagem ao PMDB, pioneiro dessa cultura política, ela é aplicável a qualquer partido.

É esse, por sinal, um dos grandes problemas do país na visão do autor.

ATÔNITO

Nobre, professor da Unicamp e pesquisador do centro de estudos Cebrap, defende que é contra o "pemedebismo" que se articularam as manifestações de rua.

Não à toa, o sistema político ficou, nas palavras dele, "atônito" com os protestos. "Não entendeu nem podia entender o que acontecia. Ao longo de 20 anos, esse sistema cuidou tão bem de se blindar contra a força das ruas que não podia entender como as ruas o tinham invadido com tanta sem cerimônia", escreve.

Os "20 anos" se referem às decorrências de outra onda de manifestações populares, a dos caras-pintadas, em 1992. "As ações do 'Fora Collor' e a ideia de que seria possível tirar um presidente levaram o sistema político ao pânico", diz Nobre à Folha.

"Inventou-se nesse momento a ideia de que o presidente só se mantém no poder se houver supermaioria parlamentar."

Para ele, esse processo (elemento central da "pemedebização") atravessou as duas últimas décadas no país, com um breve intervalo no início do governo Lula.

"O PT hesitou em embarcar nisso, mas, depois do mensalão, Lula chamou todo o PMDB ao governo. Um marco disso foi a defesa que ele fez de Sarney em 2009." Nobre crê que foi nesse ponto que o sistema político começou a "girar em falso".

Se no governo de Fernando Henrique Cardoso havia, ele argumenta, uma oposição estruturada, a conduzida pelo PT, daí por diante ela se extinguiu. "A oposição terminou em 2009", afirma. "Aí o 'pemedebismo' toma o sistema todo. A oposição migra para a situação."

Essa ausência estaria no coração das "revoltas de junho". "Quando há uma oposição organizada, o governo é forçado a ter unidade, porque, quando os opositores começam a fazer críticas, as diferenças internas da situação têm de se acertar. Não há mais isso no Brasil."

DESCOMPASSO

O professor de filosofia diz que esse processo coincide com o do crescimento da internet no país, da popularização das redes sociais e o amadurecimento da sociedade.

"O sistema político está em descompasso com o grau que a democracia já atingiu na sociedade brasileira." É a esse choque que o autor se refere no título (alusão irônica a outros "choques").

"Que a faísca das "revoltas de junho" esteja associada ao transporte público, "exemplar em ineficiência, má qualidade e preço exorbitante", não é o fator fundamental.

"Junho de 2013 carrega uma multidão de reivindicações, frustrações e aspirações", diz Nobre, que afirma ter ido a diversas passeatas.

Ele sustenta no livro que é marcante que uma parte expressiva dos manifestantes tenha crescido sem formação política. "Quem nasceu da década de 1990 em diante, por exemplo, não assistiu a qualquer polarização política real", escreve.

As "revoltas de junho" representariam, para ele, um "aprendizado democrático fundamental" de como se manifestar. "Espero que delas surja uma frente 'antipemedebismo'", manifesta-se.

CHOQUE DE DEMOCRACIA
AUTOR Marcos Nobre
EDITORA Companhia das Letras
QUANTO R$ 4,99 (e-book)

Fonte: Folha de S. Paulo. Publicado em 27/06/13

E-book está disponível para compra no site da Livraria Saraiva, no iTunes  e no site da Amazon (edição Kindle).

25/06/2013

Brazil’s Leftist Ruling Party, Born of Protests, Is Perplexed by Revolt. In The New York Times

“There’s been a democratic explosion on the streets,” said Marcos Nobre, a professor at the University of Campinas. “The Workers Party thinks it represents all of the progressive elements in the country, but they’ve been power now for a decade. They’ve done a lot, but they’re now the establishment.”

 

SÃO PAULO, Brazil — The protests were heating up on the streets of Brazil’s largest city last week, but the mayor was not in his office. He was not even in the city. He had left for Paris to try to land the 2020 World’s Fair — exactly the kind of expensive, international mega-event that demonstrators nationwide have scorned. 

A week later, the mayor, Fernando Haddad, 50, was holed up in his apartment as scores of protesters rallied outside and others smashed the windows of his office building, furious that he had refused to meet with them, much less yield to their demand to revoke a contentious bus fare increase.

How such a rising star in the leftist governing party, someone whose name is often mentioned as a future presidential contender, so badly misread the national mood reflects the disconnect between a growing segment of the population and a government that prides itself on popular policies aimed at lifting millions out of poverty.

After rising to prominence on the backs of huge protests to usher in democratic leadership, the governing Workers Party now finds itself perplexed by the revolt in its midst, watching with dismay as political corruption, bad public services and the government’s focus on lifting Brazil’s international stature through events like the 2014 World Cup and the 2016 Olympics inspire outrage.

On Wednesday, tens of thousands protested outside the newly built stadium where Brazil faced off against Mexico in the Confederations Cup, as the police tried to disperse them with tear gas, rubber bullets and pepper spray. In what would normally be a moment of unbridled national pride, demonstrators held up placards demanding schools and hospitals at the “FIFA standard,” challenging the money Brazil is spending on the World Cup instead of on health care or the poorly financed public schools.

With support for the protests escalating — a new poll by Datafolha found that 77 percent of São Paulo residents approved of them this week, compared with 55 percent the week before — Mayor Haddad and Geraldo Alckmin, the governor from an opposition party, bowed on Wednesday night, announcing that they would cancel the bus and subway fare increases after all. Other cities, including Rio de Janeiro, pledged to do the same.

But while the fare increases might have been the spark that incited the protests, they unleashed a much broader wave of frustration against politicians from an array of parties that the government has openly acknowledged it did not see coming.

“It would be a presumption to think that we understand what is happening,” Gilberto Carvalho, a top aide to President Dilma Rousseff, told senators on Tuesday. “We need to be aware of the complexity of what is occurring.”

The swell of anger is a stunning change from the giddy celebrations that occurred in 2007, when Brazil was chosen by soccer’s governing body to host the World Cup. At the time, dozens of climbers scaled Rio de Janeiro’s Sugar Loaf Mountain, from which they hung an enormous jersey with the words “The 2014 World Cup is Ours.”

“We are a civilized nation, a nation that is going through an excellent phase, and we have got everything prepared to receive adequately the honor to organize an excellent World Cup,” Ricardo Teixeira, then the president of the Brazilian Football Confederation, said at the time.

Since then, the sentiment surrounding Brazil’s preparations for the World Cup, and much else overseen by the government, has shifted. Mr. Teixeira himself resigned last year, under a cloud of corruption allegations, and while the Brazilian government says it is spending about $12 billion on preparing for the World Cup, most of the stadiums are over budget, according to the government’s own audits court.

The sheen that once clung to the Workers Party has also been tarnished by a vast vote-buying scheme called the mensalão, or big monthly allowance, in a nod to the regular payments some lawmakers received. The scandal resulted in the recent conviction of several of high-ranking officials, including a party president and a chief of staff for Luiz Inácio Lula da Silva, who was a popular Brazilian president.

“There’s been a democratic explosion on the streets,” said Marcos Nobre, a professor at the University of Campinas. “The Workers Party thinks it represents all of the progressive elements in the country, but they’ve been power now for a decade. They’ve done a lot, but they’re now the establishment.”

The economic growth that once propelled Brazil’s global ambitions has slowed considerably, and inflation, a scourge for decades until the mid-1990s, has re-emerged as a worry for many Brazilians.

But expectations among Brazilians remain high, thanks in large part to the government’s own success at diminishing inequality and raising living standards for millions over the last decade. The number of university students doubled from 2000 to 2011, according to Marcelo Ridenti, a prominent sociologist.

“This generates huge changes in society, including changes in expectations among young people,” he said. “They expect to get not only jobs, but good jobs.”

Unemployment is still at historical lows — partly because of the very stadiums and other construction projects that have become the source of such ire among some protesters. But well-paying jobs remain out of reach for many college graduates, who see a sharp difference between their prospects and those of political leaders.

“I think our politicians get too much money,” said Amanda Marques, 23, a student, referring not to graft but to their salaries.

Earlier this year, Mr. Alckmin, the governor, announced that he was giving himself and thousands of other public employees a raise of more than 10 percent; his own salary should climb to about $10,000 a month as a result. High salaries for certain public employees have long been a festering source of resentment in Brazil, with some officials earning well more than counterparts in rich industrialized nations.

Both Mr. Alckmin and Mr. Haddad followed the protests together in Paris last week on their smartphones. But at the time, Mr. Alckmin dismissed the protests as the equivalent to a routine strike by air traffic controllers in Paris, something “that happens.”

“What has to be done is be strong and stand firm to avoid excesses,” he told reporters then, before the protests had spread on the streets of São Paulo and dozens of other cities across Brazil.

By this week, it was clear how thoroughly officials had miscalculated. At one point on Tuesday night, protesters tried to break into the Municipal Theater, where operagoers were watching Stravinsky’s “Rake’s Progress.” The doors to the elegant theater remained shut and as the show went on, they spray-painted the outside of the recently renovated structure with the words “Set Fire to the Bourgeoisie.”

William Neuman contributed reporting from São Paulo, and Andrew Downie from Recife, Brazil.


 

A version of this article appeared in print on June 20, 2013, on page A8 of the New York edition with the headline: Brazil’s Leftist Ruling Party, Born of Protests, Is Perplexed by Revolt.

24/06/2013

Cebrap convida para Seminário da Casa "Deus na Aldeia: missionários, índios e mediação cultural", com Paula Montero (USP/Cebrap), quinta, dia 4 de julho

O Cebrap convida a todos para a todos para o Seminário da Casa "Deus na Aldeia: missionários, índios e mediação cultural", com Paula Montero (USP/Cebrap). O debate contará com a participação de Luiz Henrique Lopes dos Santos(USP/Cebrap)

 

Serviço:

Dia: quinta-feira, dia 4 de julho

Horário: 11 horas

Local: auditório do Cebrap, rua Morgado de Mateus, 615, Vila Mariana.

23/06/2013

Um país abaixo das expectativas dos seus cidadãos. No jornal Público de Portugal, com entrevista de Alexandre Freitas Barbosa

Por Clara Barata

Lula aumentou o rendimento dos mais pobres, mas o Brasil continua a ser um dos países mais desiguais. É isso que os manifestantes vieram à rua dizer


A nova classe média brasileira, criada pelas políticas sociais dos governos do Presidente Lula da Silva e seguidas pela sua sucessora Dilma Rousseff , foi para a rua exigir mais, dizer que ter mais dinheiro não é o mesmo que haver menos desigualdade. “Toda a gente foi apanhada .de surpresa”, reconhece Alexandre de Freitas Barbosa, professor de História Económica e Economia Brasileira no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. Mas os sinais estavam à vista.

Afinal, o Brasil continua a estar no 85.º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano ajustado à desigualdade das Nações Unidas em 2013 (Portugal fi cou em 43.º lugar). “A desigualdade de rendimentos entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres caiu de 52 vezes para 40 entre 2003 e 2009”, isto é, desde que Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), chegou ao poder. “O único país com uma economia de mercado moderna que ganha ao Brasil em desigualdade é a África do Sul, e isso está assente no apartheid”, exemplifica Alexandre Barbosa.

Tudo isto para explicar por que é que os brasileiros, apesar de uma década de governação à esquerda por uma coligação dominada pelo PT do Presidente Lula da Silva e, desde 2010, de Dilma Rousseff , explodiram numa vaga de reivindicações.

Não foi apenas o aumento dos bilhetes de autocarro — que não é assim tão pouco, pois em São Paulo, uma cidade com 18 milhões de habitantes e apenas quatro linhas de Metro, há quem passe pelo menos duas horas em ônibus velhos e sobrelotados para ir trabalhar, e outras duas à noite, para regressar a casa. E em São Paulo, a maior cidade do Brasil, onde todos os dias entram cinco milhões de carros, 10% da população habitam na periferia, em zonas degradadas. Mas apenas 25% das pessoas saíram à rua por causa do preço dos transportes, diz um inquérito publicado ontem pelo jornal Folha de São Paulo.

A corrupção dos políticos, o esbanjamento de dinheiro no Mundial de Futebol de 2014 e nos Jogos Olímpicos de 2016, a pobreza dos hospitais e da educação — o Brasil fi cou em penúltimo lugar no ranking de educação realizado em 2012 pela Economist Intelligence Unit, com 40 países — são algumas das preocupações dos brasileiros. Tal como a subida dos preços: a meta da inflação para este ano é de 6,5%. Programas emblemáticos como o Bolsa Família aumentaram o rendimento dos mais carenciados, além de ter sido elevado o salário mínimo (678 reais actualmente, ou seja, 229 euros). A grande maioria dos empregos criados durante os governos Lula e Dilma é paga até 1,5 salários mínimos (cerca de 1000 reais, ou 338 euros). Foi ainda incentivado o crédito às famílias, criando um crescimento assente emgrande parte no consumo. Mais 40 milhões de pessoas passaram a ter acesso regular ao mercado de bens e serviços.

Hoje, com a inflação a crescer, numa economia estagnada — no ano passado, o Brasil cresceu apenas 0,9%, depois de vários anos a crescer 7,5% —, muitos queixam-se do custo de vida e trouxeram as suas preocupações para a rua. Foram mostrar que o país, afinal, tem ficado abaixo das expectativas dos seus cidadãos.


Lula foi um marco

No entanto, a chegada à presidência de Lula da Silva, em 2003, foi um marco. “Num período da história brasileira em que funcionavam as instituições democráticas, gerou uma transição em que casou desenvolvimento económico com expansão do emprego e aumento das transferências de renda e das políticas sociais”, sublinha Alexandre Barbosa. Os manifestantes reconhecem a herança: não pedem a queda do Governo de Dilma. O Brasil não é o Egipto, em que o povo pedia a queda do “faraó”.

“Lula posiciona as contradições da história brasileira num outro patamar. O problema é que as contradições são muito grandes, partem de uma história muito complexa — um país que foi escravagista, em que há oligarquias agrárias e urbanas, grande controlo dos meios de comunicão, o período do regime militar em que se acirraram as contradições.”. resume o investigador.

“Lula conseguiu juntar essas forças, dinamizar o mercado interno e promover um processo de inclusão social via rendimento, consumo e crédito”. Mas nunca houve uma política activa de redução das desigualdades, defende Alexandre Barbosa. “Desigualdade é desigualdade de oportunidades no acesso a bens. Todo o mundo que vive no Brasil sabe que existe saúde de rico e saúde de pobre, educação de rico e de pobre, transporte de rico, transporte de pobre. E tudo o que é de pobre é gerido pelo sector público, geralmente com pouca capacidade de gestão, pouca qualidade, sem controlo da sociedade civil e de péssima qualidade.”
“O que gerou os protestos foi a percepção de que o ciclo expansivo estava a chegar ao final, com a desaceleração da economia”, diz.

O desafio para a Presidente Dilma Rousseff , agora, é gerir a aliança de poder criada por Lula, que juntou o PT a várias forças políticas, nem todas de esquerda, e vários representantes da sociedade civil.
“Neste grande acordo estão sindicatos mas também partidos herdeiros da ditadura militar, que representam segmentos conservadores da sociedade brasileira. Durante o ciclo expansivo da economia, essa grande coligação presidencial conseguia satisfazer interesses de banqueiros até segmentos mais desfavorecidos, digamos, quem recebia o Bolsa Família. Lula conseguia usar o chapéu do agronegócio, dos grandes produtores de matérias-primas, e ao mesmo tempo o do Movimento dos Sem Terra”, explica Alexandre Barbosa.

O novo pacto de Dilma

“Mas, na hora de reduzir a desigualdade de uma forma mais substantiva, essa coligação passa a ser um obstáculo”, alerta o investigador, coordenador do relatório O Brasil Real: A Desigualdade Por Trás das Estatísticas, feito pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) com o apoio da Christian Aid. “As manifestações puseram a nu que este Governo, que tem uma parte social forte, acabou se acomodando a esse acordo entre cúpulas.” A Rousseff cabe solucionar o difícil quebra-cabeças de criar um novo acordo social alargado, e em vésperas das eleições presidenciais de 2014. “Pensava-se que ela ia ‘surfar em céu de brigadeiro’, como a gente diz aqui, na herança de Lula, mas o que os movimentos sociais estão a mostrar é os limites dessa herança.”

A Presidente dá sinais de estar a tentar pôr o sistema a mexer (ver texto ao lado). “A democracia faz com que ela tenha de criar um novo pacto — tem de usar o poder da sociedade para tentar reduzir a força dos movimentos mais conservadores no Governo. É uma equação complexa, mas o Governo brasileiro tem uma capacidade de acção diferente do que vocês têm aí na Europa, em que as grandes determinações são dadas pelo Banco Central Europeu, ou por Angela Merkel e países como Espanha e Portugal fi cam de mãos atadas, fazendo um ajuste fiscal e a sociedade não encontra centros dedecisão com os quais dialogar”, afirma Alexandre Barbosa.

Fonte: Público, de Portugal. Em 23/06/13

21/06/2013

Marcos Nobre participa de debate na FFLCH de balanço das manifestações

FFLCH tem discussão sobre balanço das manifestações em São Paulo

Intelectuais e representantes do MPL participam

Além da revogação no aumento dos preços do transporte público, os protestos que aconteceram em São Paulo nas duas últimas semanas geraram outros resultados. O debate sobre o financiamento do transporte, o direito à manifestação e até os rumos da política brasileira entraram em discussão.

No dia 21 de junho, às 15h, um debate na Faculdade de Filosofia, FFLCH vai tentar traçar um balanço de toda esta série de acontecimentos e do que poderá vir no futuro. Eugênio Bucci, Marcos Nobre, Pablo Ortellado, Renato Rovai e representantes do Movimento Passe Livre participarão.

O encontro acontece no Conjunto Didático da Filosofia e Ciências Sociais, sala 111

Fonte: Catraca Livre em 20/06/13

21/06/2013

Redes sociais difundem e dividem protestos no Brasil. Matéria da Agência Reuters, com entrevista de Angela Alonso

Por Caroline Stauffer

SÃO PAULO, 21 Jun (Reuters) - Os maiores protestos das últimas décadas no Brasil reúnem uma mistura confusa e conflitante de pessoas e mensagens. E a culpa é do Facebook.

Redes sociais como o Facebook e o Twitter propiciaram um tipo de mobilização que há mais de duas décadas não era vista no país. Mas, graças à velocidade, eficiência e anonimato do ativismo on-line, emergiu um movimento amorfo e desajeitado, fora do controle daqueles que inicialmente começaram a pedir mudanças.

"As redes sociais nos ajudaram a nos organizarmos sem termos líderes", disse Victor Damaso, de 22 anos, que participava de uma manifestação na quinta-feira à noite na avenida Paulista, em São Paulo. "Nossas ideias, nossas exigências são discutidas pelo Facebook. Não há reuniões nem regras."

As manifestações são majoritariamente pacíficas, mas, com a presença de mais de 1 milhão de pessoas nas ruas de dezenas de cidades na quinta-feira, vândalos e saqueadores lançaram uma sombra violenta sobre alguns dos protestos. Em vários casos, policiais reagiram com gás lacrimogêneo, balas de borracha e gás de pimenta.

Páginas montadas no Facebook para a coordenação logística e hashtags do Twitter brotam sem parar nos últimos dias para convocar protestos em centenas de cidades. Grupos rivais parecem estar disputando o controle de uma das mais visitadas páginas de uma organização no Facebook e de uma conta correlata do Twitter.

"Todo o movimento que cresce corre o risco de atrair grupos e indivíduos com os quais não tem afinidade plena", disse a socióloga Angela Alonso, da Universidade de São Paulo. "É um preço do crescimento. Como, neste caso, não há liderança centralizada, a administração dessas adesões fica mais difícil e vem se mostrando mesmo descontrolada."

O Movimento Passe Livre, um grupo com cerca de 40 ativistas que iniciou as passeatas - afinal bem sucedidas - pela redução da tarifa dos transportes em São Paulo, anunciou nesta sexta-feira que não convocará novas atividades por enquanto, por causa da crescente tensão e violência nos protestos.

A partir dos protestos do MPL, uma convocação nacional por reformas rapidamente evoluiu para aquilo que agora ficou conhecido na internet como Anonymous Brasil.

O grupo parece usar navegadores criptografados, o que dificulta identificar os administradores da página, e adotou como mascote as máscaras de Guy Fawkes, símbolo do grupo global de hackers Anonymous. Não está claro, no entanto, se o grupo nacional tem ligação com o global.

Embora isso abra espaço para todo tipo de grupo marginal, as pessoas que estão no centro dos protestos em geral partilham de uma reivindicação por melhorias dos serviços públicos. Suas palavras de ordem - em cartazes e nas redes sociais - incluem o fim da corrupção e críticas aos gastos de mais de 25 bilhões de reais para a realização da Copa de 2014.

Os manifestantes, em geral pessoas da classe média, com menos de 30 anos e boa formação escolar, não querem nenhuma ligação com os grupos organizados que estavam por trás das causas que mobilizaram a geração dos seus pais.

ORGANIZAÇÃO ON-LINE

Ao contrário do que ocorreu no movimento pela redemocratização nas décadas de 1970 e 80 e nos protestos pelo impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, em 1992, as atuais manifestações não têm líderes nem afinidades políticas bem definidos.

"Os protestos recentes não são apartidários, com lideranças centralizadas", disse Angela. "Isso tem a ver com as novas tecnologias, que permitem organizar sem centralizar, mas também com o fato de que os ativistas são de uma nova geração, não se orientam mais por ideários aglutinadores como o socialismo e não visam tomar o poder de Estado."

De fato, os protestos no Brasil não têm como alvo um líder ou partido específico. Isso os difere das rebeliões da Primavera Árabe nos últimos dois anos e meio, ou mesmo dos recentes protestos na Turquia contra o governo do premiê Tayyip Erdogan.

Enquanto os governos árabes bloquearam o acesso à internet para atrapalhar a organização de protestos, no Brasil a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apenas intensificou os esforços para monitorar as convocações para protestos via internet e pelo popular aplicativo de celular WhatsApp.

A presidente Dilma Rousseff, militante de esquerda na década de 1970, elogiou o caráter democrático dos protestos.

A página do AnonymousBrasil, que já tem quase 1 milhão de seguidores, chegou a desaparecer por alguns instantes nesta sexta-feira. O grupo disse depois, via Facebook, que sua conta do Twitter havia sido "roubada" por um dos seus próprios membros, gerando conflitos com sua plataforma associada do Facebook.
O grupo diz que contas concorrentes do Twitter, como @AnonymousBr4sil e #AnonymousFuel, são mantidas por "usurpadores".

Dos 53,5 milhões de brasileiros na internet, quase um terço da população do país, 86 por cento usam algum tipo de microblog ou rede social, segundo o Ibope.


(Reportagem adicional de Silvio Cascione)

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