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31/07/2012

Novos tempos, novos desafios: Cebrap completa 43 anos com seu DNA sintonizado com o século 21

Na categoria políticas públicas, centro está avaliado entre os 20 mais importantes think tanks do mundo

O Centro Brasileiro de Análise e Planejamento completa 43 anos neste mês de maio de 2012 com 32 projetos em andamento, nos quais estão envolvidos cerca de 150 pesquisadores. Mais do que números robustos no universo de pesquisas, o Cebrap revela uma face moderna frente aos problemas e às questões atuais do Brasil. 

O Cebrap vem conseguindo fazer frente ao desafio de conciliar sua história com as novas exigências do novo século: produz para o século 21 e com ele se conecta, mantendo-se como um moto-contínuo de ideias, reflexões, análises e propostas concretas para a agenda pública do Brasil atual.  Ancorado em pesquisas de qualidade, o Cebrap acumulou expertise e inteligência metodológica e se mantém sintonizado com o que há de mais vivo no País. Esse ‘DNA metodológico’ é o fio condutor não só de análises, mas também de propostas, assessorias e soluções que evidenciam sua fértil produção teórica e prática. 

Criado em pleno regime militar como um centro de resistência intelectual para uma produção independente, o Cebrap firmou-se, nos anos 70 e 80, como um player estratégico na dificílima cena política do Brasil, indicando linhas de propostas para governos locais e partidos de oposição e pesquisas sobre nossa realidade. 

 “O desafio atual do Cebrap é associar de modo inovador a excelência em pesquisa às exigências da agenda política contemporânea”, afirmou Paula Montero, presidente. O compromisso foi reiterado quando da publicação do livro Retrato de Grupo, que reuniu entrevistas e depoimentos sobre 40 anos de sua produção e participação na história recente do Brasil. E vem sendo realizado, na avaliação de sua direção.

Diversidade e multiplicidade

Em quatro décadas, são mais de 500 trabalhos realizados, entre seminários, estudos e pesquisas de campo, com consequências práticas, notadamente em políticas públicas. Neles, as equipes do Cebrap acumularam expertise multidisciplinar em questões metropolitanas, tendências demográficas, saúde e educação em São Paulo e no Brasil, qualificação e mercado de trabalho, desenvolvimento, tecnologia e inovação, realidade política e partidária, questão federativa, governança participativa,  direito e  justiça e em distintas áreas de políticas públicas.  

Trabalhos como os de comportamento e sexualidade dos jovens, conduzidos pela demógrafa Elza Berquó, e o mapeamento de rotas para ciclismo urbano em São Paulo, coordenado pelo Núcleo de Jovens Pesquisadores, sinalizam sua capacidade de transitar por temas atualíssimos na agenda pública.

Mais de 700 pesquisadores de múltiplas áreas – Antropologia, Economia, Ciências Sociais, Filosofia, Direito,  Demografia, História e Geografia–, por aqui passaram e mantém o Cebrap como um marco em suas trajetórias. Viveram no Cebrap, uma etapa crucial em suas carreiras acadêmica, de trabalho e até de experiência política. 

Link Norte e Sul

Em um cenário de globalização conturbada e ziguezagueante do início do século 21, o Cebrap revela metodologia que se demonstra pertinente para pensar e responder a distintas realidades do planeta e se firma como um “link” estratégico entre instituições de pesquisa dos hemisférios Norte e Sul. 

“Essas pesquisas ajudam o corpo de pesquisadores da casa a entender melhor nossa realidade e a tornar as experiências brasileiras bem sucedidas visíveis no circuito internacional”, sinaliza Vera Schattan.

Sinergia

O Cebrap  compartilha continuamente referências com o público acadêmico e não-acadêmico do Brasil e do exterior e mantém múltiplas parcerias com fundações, órgãos de governo e entidades diversas. Seus pesquisadores têm sido constantemente chamados a opinar na mídia em questões prementes da agenda pública, além de consultorias técnicas para subsidiar a formulação de políticas públicas.

Confira aqui os quase 200 parceiros e financiadores do Cebrap nestas quatro décadas.

Entre os melhores think tanks do mundo

O Cebrap está entre os melhores think tanks em três categorias, segundo ranking elaborado pela Universidade da Pennsylvania (EUA). Entre 600 instituições da América Central e da América do Sul, o centro revela-se como o 16º melhor. No Brasil, detém a quinta posição. Já na categoria de programas de pesquisa voltados a política pública (Think Tanks with Outstanding Policy-Oriented Public Policy Research Programs), o Cebrap aparece na 19ª posição entre todos os think tanks do mundo.

Confira aqui o relatório The Global Go To Think Tanks Rankings 2011.

Saiba quem são os quase 200 parceiros ou financiadores de projetos do Cebrap nestas quatro décadas.

27/07/2012

Cebrap realiza seminário sobre a questão da violência contra a mulher com Cecília MacDowell Santos

Intitulado ´Da Delegacia da Mulher à lei Maria da Penha: para uma abordagem interseccional situada`, seminário será conduzido por pesquisadora vinculada à Universidade de San Francisco e ao Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Evento será na quarta-feira, 1 de agosto, às 10 horas, no auditório do Cebrap. Não há necessidade de inscrição prévia.

Confira o perfil de Cecíia MacDowell Santos, conforme o site do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra:

Cecília MacDowell Santos é investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra e professora associada de sociologia da Universidade de São Francisco (Califórnia, EUA). É Doutora em Sociologia pela Universidade da Califórnia-Berkeley e Mestre em Direito pela Universidade de São Paulo. No CES, integra o Núcleo de Democracia, Cidadania e Direito (DECIDe), sendo docente nos programas de doutoramento “Direito, Justiça e Cidadania no Século XXI” e “Democracia no Século XXI”.

Os seus actuais interesses de investigação centram-se na mobilização jurídica e na (re)construção dos direitos humanos em escalas local, nacional e transnacional. No âmbito desta temática, tem vindo a realizar estudos sobre as relações entre o Estado, os sistemas de Justiça e os movimentos sociais, com enfoque nos discursos e lutas feministas em torno da violência contra as mulheres, nos direitos indígenas e no direito à memória política, especialmente nos contextos brasileiro e latino-americano. Também tem realizado estudos sobre a mobilização jurídica transnacional dos direitos humanos no contexto português e europeu.

É autora de Women's Police Stations: Gender, Violence, and Justice in São Paulo, Brazil (Palgrave Macmillan, 2005); co-organizadora de Desarquivando a Ditadura: Memória e Justiça no Brasil (Editora Hucitec, 2009) e de Repressão e Memória Política no Contexto Ibero-Brasileiro: Estudos sobre Brasil, Guatemala, Moçambique, Peru e Portugal (Ministério da Justiça do Brasil, 2010). Tem artigos publicados em livros e revistas internacionais peer-reviewed, incluindo Latin American Research Review, Cadernos PAGU e Sur-International Journal on Human Rights, entre outras.

27/07/2012

Cebrap realiza seminário sobre a questão da violência contra a mulher com Cecília MacDowell Santos

Intitulado ´Da Delegacia da Mulher à lei Maria da Penha: para uma abordagem interseccional situada`, seminário será conduzido por pesquisadora vinculada à Universidade de San Francisco e ao Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Evento será na quarta-feira, 1 de agosto, às 10 horas, no auditório do Cebrap. Não há necessidade de inscrição prévia.

Confira o perfil de Cecíia MacDowell Santos, conforme o site do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra:

Cecília MacDowell Santos é investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra e professora associada de sociologia da Universidade de São Francisco (Califórnia, EUA). É Doutora em Sociologia pela Universidade da Califórnia-Berkeley e Mestre em Direito pela Universidade de São Paulo. No CES, integra o Núcleo de Democracia, Cidadania e Direito (DECIDe), sendo docente nos programas de doutoramento “Direito, Justiça e Cidadania no Século XXI” e “Democracia no Século XXI”.

Os seus actuais interesses de investigação centram-se na mobilização jurídica e na (re)construção dos direitos humanos em escalas local, nacional e transnacional. No âmbito desta temática, tem vindo a realizar estudos sobre as relações entre o Estado, os sistemas de Justiça e os movimentos sociais, com enfoque nos discursos e lutas feministas em torno da violência contra as mulheres, nos direitos indígenas e no direito à memória política, especialmente nos contextos brasileiro e latino-americano. Também tem realizado estudos sobre a mobilização jurídica transnacional dos direitos humanos no contexto português e europeu.

É autora de Women's Police Stations: Gender, Violence, and Justice in São Paulo, Brazil (Palgrave Macmillan, 2005); co-organizadora de Desarquivando a Ditadura: Memória e Justiça no Brasil (Editora Hucitec, 2009) e de Repressão e Memória Política no Contexto Ibero-Brasileiro: Estudos sobre Brasil, Guatemala, Moçambique, Peru e Portugal (Ministério da Justiça do Brasil, 2010). Tem artigos publicados em livros e revistas internacionais peer-reviewed, incluindo Latin American Research Review, Cadernos PAGU e Sur-International Journal on Human Rights, entre outras.

25/07/2012

Na mídia: Bike Sampa expande sistema de empréstimo para bairros como Jardins e Moema

Vanessa Correa, Revista sãopaulo, Folha de S. Paulo

Depois de testar suas dez primeiras estações na Vila Mariana (zona sul) em maio, o Bike Sampa vai expandir seu sistema para outros bairros das zonas sul e oeste da cidade. Até novembro, serão ao todo mil \"bikes\" disponíveis para compartilhamento público em bairros como Paraíso, Jardins e Itaim.

A área de ampliação foi escolhida especialmente por estar entre as linhas azul, verde e amarela do metrô e a linha esmeralda da CPTM, afirma Carlos Freire, pesquisador do Cebrap que coordenou o estudo para definir o local dos pontos. A ideia é que as pessoas possam fazer a integração entre trens, ônibus e bicicletas para facilitar o deslocamento pela região.

As rotas mais adequadas serão sinalizadas pela prefeitura com o desenho de uma bicicleta no chão. O símbolo indica que a via é rota habitual de ciclistas, embora não seja exclusiva nem demarcada por cones. A previsão é que até 2013 sejam inauguradas 3.000 estações, que incluirão bairros como Itaquera, na zona leste.

Para Thiago Benicchio, diretor da ONG Ciclocidade, só as ciclorrotas (onde motos e carros também podem circular) não garantem a segurança do usuário. "As cidades que implementaram sistema de bicicletas, como Paris, fizeram uma rede de ciclovias primeiro. Aqui a prefeitura fez o contrário."

André Pasqualini, do Instituto CicloBR, também acha que seria melhor ter ciclovias ou ciclofaixas. Mas, diz, os ciclistas aprenderam que, aqui, "a 'bike' vem antes da estrutura. É um jeito de fazer a prefeitura se mexer."

O Bike Sampa é uma parceria da Secretaria Municipal de Transportes com o Itaú-Unibanco e as empresas Samba e Serttel. Como contrapartida pelo patrocínio do sistema, o Itaú pode exibir sua marca nas bicicletas.

Não só empresas procuram associar sua imagem à "bike". No fim de semana passado, os candidatos a prefeito Fernando Haddad (PT), Gabriel Chalita (PMDB) e José Serra (PSDB) posaram sorridentes para fotos enquanto pedalavam pela cidade.

Leia mais na revista sãopaulo

20/07/2012

Debate traz reflexões sobre participação social no Brasil

Para o pesquisador da USP e do CEBRAP, Adrian Lavalle, o único diagnóstico possível no momento é assumir que, nos últimos 20 anos, a estrutura de participação no Brasil se desenvolveu de forma vertiginosa, diversificou-se institucionalmente e tende a expansão. “Não há outro país no mundo que tenha uma diversificação de instituições participativas como a que há no Brasil”.

Vídeo traz reflexões sobre a situação atual das instâncias de participação social no Brasil e aponta desafios para os conselhos e o sistema de conferências

“Há uma crise nas instâncias de participação social no Brasil?” Essa foi a pergunta de abertura do debate promovido pela Agenda Pública, em parceria com o Centro Universitário Maria Antônia/USP e a Escola de Políticas Públicas. O evento “Crise das instâncias de participação institucionalizadas: os conselhos e o sistema de conferências”, realizado no dia 30 de maio, gerou reflexões sobre os problemas e desafios enfrentados pelos conselhos de políticas públicas e de direitos e o sistema de conferências no Brasil e deu origem ao vídeo lançado hoje no site da Agenda Pública.

 
O debate faz parte da série Breves Encontros 2012. Dele participaram aproximadamente 100 pessoas, cerca de 50 presencialmente, além dos mais de 60 internautas que assistiram à transmissão online do debate, que superou as expectativas de público. Participaram estudantes, acadêmicos, pesquisadores, formadores de opinião e demais interessados(as).
 
Nesta edição, o debate contou com a participação de Adrian Lavalle, professor da FFLCH/USP, e Daniel Pitangueira de Avelino, da Secretaria Nacional de Participação Social da Presidência da República, que expuseram seus pontos de vista enfatizando processos históricos, dados dos últimos 20 anos sobre a estrutura de participação no Brasil, problemas enfrentados pelas instâncias de participação, além de possíveis alternativas para os desafios atuais.
 
Daniel Pitangueira iniciou sua fala questionando a palavra “crise” e chamou a atenção para possíveis conotações que podem fortalecer um discurso negativo contra as instâncias de participação. “Precisamos ter cuidado quando afirmamos que há uma crise nos conselhos e nas conferências no Brasil. Vivemos um momento histórico de expansão dessas instituições”, explicou. “Existe uma parcela significativa da sociedade que opta por não participar do debate político. É preciso atentar para a participação social como uma cultura que precisa ser popularizada, como um processo educativo, com um método de diálogo e de atuação da sociedade”, afirmou, lembrando que a mobilização para a participação social é um processo longo e de responsabilidade de todos(as). “Se queremos construir um Brasil melhor para os nossos filhos, temos que assumir a responsabilidade de fazer filhos melhores para o nosso país”, finalizou.
 
Adrian Lavalle, por sua vez, afirmou que o único diagnóstico possível no momento é assumir que, nos últimos 20 anos, a estrutura de participação no Brasil se desenvolveu de forma vertiginosa, diversificou-se institucionalmente e tende a expansão. “Não há outro país no mundo que tenha uma diversificação de instituições participativas como a que há no Brasil”, garantiu o pesquisador da USP e do CEBRAP (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). “Por outro lado, há de se compreender as diversas expectativas historicamente ligadas a essas questões, pois as instituições participativas foram construídas por atores que se engajaram na transformação social e apostaram numa ordem social”, acrescentou o professor. Referindo-se ao questionamento sobre a possibilidade de uma crise, explicou que “há uma leitura crítica, porém positiva, de que não conseguimos fazer o que queríamos com esses espaços participativos, mas que o mundo é melhor com eles do que sem eles e, sendo assim, vale a pena disputá-los”. No que se refere aos resultados das instâncias participativas, o palestrante concorda que há um grande mal estar: “Os conselhos têm que produzir efeitos sobre as políticas públicas”, e complementa, “não sabemos de fato o que os conselhos estão produzindo e isso é um problema porque não conseguimos avaliá-los ou mesmo defendê-los publicamente e isso faz parte da agenda do Estado hoje”. Lavalle finalizou sua fala expondo o que avalia serem os desafios que os conselhos devem enfrentar daqui pra frente.
 
 
Confira também o artigo de Ernesto Isunza Vera e Adrian Gurza Lavalle na última edição da Revista Novos Estudos do Cebrap:
 
Arquitetura da participação e controles democráticos no Brasil e no México

Na América Latina houve uma multiplicação de experiências participativas orientadas, implícita ou explicitamente, pelas noções de accountability e controle social democrático sobre atores políticos e políticas públicas. Avaliar o alcance e as limitações dessas experiências, bem como identificar os fatores que aumentam ou obstruem sua capacidade, constitui um exercício particularmente fértil para sociedades nas quais foi arriscada a implantação de tais experiências na expectativa de melhorar a qualidade das políticas públicas e de reduzir diversos déficits das instituições políticas que ordenam a vida de tais sociedades. Esse é especialmente o caso do Brasil, onde a institucionalização de experiências participativas colocou o desafio de desenvolver um campo de investigação sobre as chamadas “instituições participativas” e sua efetividade.

Íntegra disponível no site da revista, edição de abril de 2012.

17/07/2012

Assista a vídeo documentário com o prof. Juarez Brandão Lopes (1925-2011), um dos fundadores do Cebrap

Considerado um dos mais importantes sociólogos brasileiros do século 20, Juarez Brandão foi um dos fundadores do Cebrap e esteve entre os seus mais ativos pesquisadores.

Juarez Brandão foi  professor dos departamentos de Ciência Política da Universidade de São Paulo e da Universidade Estadual de Campinas e membro da Academia Brasileira de Ciências. Formado pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo em 1950, fez pós-graduação em sociologia na Universidade de Chicago.

Além de professor e pesquisador, exerceu diversos cargos administrativos no governo federal. Foi diretor do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), secretário-adjunto da Secretaria de Planejamento da Presidência da República e vice-presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). 

Brandão notabilizou-se por suas obras e pesquisas na área da sociologia industrial, urbana e rural. Seus artigos e textos  podem ser consultados livremente na Biblioteca Virtual ou no site da Revista Novos Estudos do Cebrap. 
 
O vídeo é um documento audiovisual para a história das ciências sociais no Brasil. Foi produzido por Giovanni Alves, professor titular da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho  e que foi orientando de Juarez Brandão Lopes em sua tese de doutorado na Unicamp.
 
Assista aqui a sua íntegra (1hora e 4min.).
14/07/2012

Para Adrian Lavalle, Brasil está na vanguarda internacional quanto às formas de participação social

Professor do Departamento de Ciência Política da USP, pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e do Centro de Estudos da Metrópole (CEM), Adrian Gurza Lavalle relata, nesta entrevista, a recente evolução das formas de participação social no Brasil. Falando ao editor de [em] Revista, Flavio Lobo, Lavalle explica por que o País, nesse campo, está na vanguarda internacional e esclarece as perspectivas para a consolidação do modelo brasileiro de participação institucional.

em] Revista: Como devemos entender a ideia de participação social no contexto brasileiro contemporâneo?

Adrian Gurza Lavalle: Estamos falando de algo que mudou muito nas últimas décadas. A noção de participação nasce, no Brasil, atrelada a um conjunto de atores sociais que invocavam claramente uma ideia-força que permitia reivindicar autonomia em relação ao Estado e às mediações políticas tradicionais. No contexto da ditadura, a ideia de participação foi progressivamente atraindo um conjunto de valores que reuniam tudo aquilo que se desejava para a sociedade (e faltava ao regime militar): democracia, justiça, liberdade... Então a ideia de participação, no Brasil, nasceu normativamente carregada. Muito mais do que simplesmente se exprimir em algum lugar, “participação” tornou-se uma ideia-força que ordenou um enorme campo de atores sociais que se opunham a formas institucionalizadas de gestão pública e ordenação política características de um Estado fechado.

eR: Com a fim da ditadura essa noção tão ampla e benigna de participação alterou-se?

AGL: Os autores e atores que pensaram na participação nesses termos foram mudando o discurso à medida que a própria participação foi se transformando. Então, progressivamente – e a Constituição de 88 foi um marco nesse sentido –, a participação foi entrando na estrutura estatal e se tornando uma feição do Estado brasileiro. A transição política no Brasil fez com que aquilo que era um reclamo de inclusão social de atores pensados ou identificados como excluídos fosse se tornando um discurso institucional e uma categoria de operação do Estado. E essa institucionalização atingiu patamares sem precedentes na história do Brasil e nas democracias do mundo. Não há outro país que tenha um arcabouço institucional de instâncias participativas tão federalizado, diversificado e abrangente quanto o Brasil. De modo que, hoje, a ideia de participação não é mais aquela carregada de energias utópicas dos anos 60 e 70. Não que não existam atores que ainda reivindiquem inclusão, mas a noção de participação e as práticas a ela associadas passaram a funcionar também como uma parte da linguagem e das instituições do Estado. Tanto que, na literatura especializada, a noção mais abstrata e aberta de participação foi substituída pelo estudo das chamadas “instituições participativas”.

Leia a íntegra no site da [em] Revista

13/07/2012

Sociólogos saúdam indicação de FHC para o Prêmio John Kluge

Prêmio, visto como Nobel das Ciências Humanas, reconhece capacidade do ex-presidente de juntar teoria e ação política

O Estado de S.Paulo

A indicação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para o Prêmio John Kluge - que ele recebeu anteontem, em solenidade na Biblioteca do Congresso, em Washington - foi saudada, por diferentes acadêmicos, como um "resultado natural de seu trabalho teórico e sua ação política" e "mais que merecida". "O Kluge é uma espécie de Nobel das Ciências Humanas", resumiu o sociólogo José de Souza Martins, para quem "é justíssima e correta" a indicação do ex-presidente - que lhe valeu um cheque de US$ 1 milhão. "Um dos requisitos para tê-lo, é que o acadêmico tenha uma obra teórica original e com repercussão prática", disse Martins. FHC é primeiro nome da América Latina a recebê-lo..

Amigo de velhos temp0s do ex-presidente, o cientista político Leôncio Martins Rodrigues observa que a escolha se deve "ao talento de Fernando Henrique, que combinou o êxito como intelectual e como político". O acadêmico "pode ficar limitado a certas atividades", prosseguiu Leôncio, mas o ex-presidente foi além: "Ele introduziu a seriedade na política brasileira."

Para Aldo Fornazieri, o premiado "é um dos principais sociólogos do País" e deu grande contribuição ao criar em seus livros a teoria da dependência nos anos 60. No terreno político, lembrou, FHC desenvolveu ideias próprias. "Acho até que ele deu um mau conselho ao pedir , que esquecessem o que ele escreveu, pois a contribuição teórica é um tipo de atividade e a política é outra". Fornazieri faz uma comparação: "Lula foi um grande político e não tem nenhuma contribuição teórica. São campos diferentes. Isso não tira a importância do que ele fez".

Dicotomia. Na aceitação do prêmio, Fernando Henrique leu, em inglês, um discurso em que mesclou memórias pessoais com sua evolução acadêmica e a carreira política. Ao longo de tantas transformações do País, sua vida consistiu - afirmou - "numa dicotomia entre a ética da responsabilidade e a ética dos valores absolutos - a do sacerdote, do profeta e do professor". Nesse processo, percebeu que "a academia e a política - a razão e a emoção - não são só complementares. Ambas são essenciais."

As estruturas sociais "são básicas para explicar a sociedade, mas não suficientes para garantir a mudança", observou ao relatar seu aprendizado com figuras como Max Weber, Durkheim, Kant, Karl Manheim, Marx, Tocqueville. "Sem levar em conta a ação humana inspirada em valores, não explicamos a dinâmica do processo histórico", advertiu. E completou: "É a vontade dos indivíduos, grupos e classes, conduzidos por valores e ideologias, que cria a oportunidade para a mudança". / G. M.

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,sociologos-saudam-indicacao-de--fhc-para-o-premio-john-kluge-,899536,0.htm

13/07/2012

Cebrap desfaz mitos sobre cidade de São Paulo e indica novos rumos de planejamento

Ideia de que São Paulo seria uma metrópole de serviços é colocada em xeque no livro Metamorfoses Paulistanas, organizado por pesquisadores do Cebrap. Pesquisa exaustiva, baseada em dados inéditos, revela dinâmica econômica e espacial de São Paulo. Publicação revela tendências da cidade e abre novas referências para planejadores e gestores públicos.

Uma equipe de 19 pesquisadores do Cebrap levantou, organizou e analisou uma massa abrangente de dados socioeconômicos e sua dinâmica espacial no município de São Paulo. Os resultados questionam mitos consolidados sobre a cidade e apontam tendências.

É preciso analisar o desenvolvimento econômico da cidade de São Paulo tentando superar o falso debate que opõe os setores industrial e de serviços, alertam já de início os organizadores do livro Metamorfoses Paulistanas - Atlas Geoeconômico da Cidade, reunidos em debate na última quinta-feira, dia 5/7.  A publicação de 368 páginas é uma coedição do Cebrap com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, a Imprensa Oficial e a Editora Unesp.   A pesquisa e o livro foram objeto de debate no Cebrap, reunindo parte de seus autores (são 19) e especialistas em políticas públicas.

Para examinar se certas ideias sobre São Paulo correspondiam à realidade, a equipe de pesquisadores deixou raciocínios preconcebidos de lado e analisou exaustivamente um banco de dados inédito com informações georreferenciadas, especialmente as da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego.

 

Desenvolvimento econômico e tecnologia

O livro analisa a base do desenvolvimento econômico da cidade de SP tentando superar o falso debate que opõe os setores industrial e de serviços. Ao analisar a estrutura produtiva sob o prisma das atividades econômicas mais intensivas em tecnologia e conhecimento, a pesquisa mostra como é possível pensar a competitividade e o futuro econômico da cidade. “São justamente essas atividades de maior intensidade tecnológica e de conhecimento que geram mais riqueza, empregam mão de obra mais qualificada e pagam os melhores salários”, explica Carlos Torres Freire, doutorando em Sociologia pela USP e pesquisador a dez anos do Cebrap.

Infraestrutura do conhecimento

Para Flavia Consoni, “O município pouco tem se apropriado da infraestrutura de conhecimento (universidades, centros de pesquisas e laboratórios avançados) que existe na cidade.” Segundo Consoni, que é professora da pós-graduação do Centro Universitário da FEI, “as bases para a formação de recursos humanos já se encontram consolidadas, ainda que necessitem privilegiar determinadas áreas de conhecimento, dialogar com as demandas do mercado e priorizar a qualidade do ensino.” E aponta o caminho: “Um dos maiores desafios a serem enfrentados pelos gestores consiste em propor políticas adequadas para que a crescente produção científica resulte em desenvolvimento tecnológico e em inovação.”.

Dinâmica territorial

Mais importantes que as discussões sobre o binômio “indústria versus serviços” são as dinâmicas territoriais dos segmentos econômicos, indicam os pesquisadores Tomas Cortez Wissenbach, Vagner Bessa, Juliana Coli Munhoz e Aline de Paula em suas pesquisas.  Enquanto alguns setores se modernizam e se “voltam para dentro” do município, “arrastando” territórios e atividades para uma grande área, como o centro expandido, outras crescem “para fora”, incorporando novos territórios à área metropolitana, apontam em seu estudo.

 

Equipe técnica qualificada

A coordenação geral dos trabalhos foi de Silvia Anette Kneip, diretora do Departamento de Estatística e Produção de Informação da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Urbano de São Paulo na época da pesquisa, e de Álvaro Comin, atualmente professor do King's College London, professor licenciado do Departamento de Sociologia da FFLCH-USP e ex-presidente do Cebrap.

Além deles, a pesquisa foi organizada por:

Carlos Torres Freire, doutorando em Sociologia pela USP e pesquisador a dez anos do Cebrap, e Tomás Cortez Wissenbach, mestre em Geografia Humana e assessor da SP Urbanismo.

Os outros autores dos trabalhos são:

Alexandre Abdal, mestre em Sociologia e doutorando em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), é professor da Escola de Administração de Empresas do Estado de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV). Pesquisador do Cebrap;

Alexandre Barbosa, professor de História Econômica e Economia Brasileira do IEB/USP;

 Aline Borghi Leite, doutoranda em Sociologia pela UFSCar;

Aline de Paula, Geógrafa pela PUC-SP, trabalha com geoprocessamento na área de urbanismo;

Bruno Komatsu, sociólogo formado pela USP e mestrando em economia na FEA-USP;

Eduardo Alcântara de Vasconcelos, engenheiro civil e sociólogo. Mestrado e doutorado em Ciência Política pela USP e pós-doutoramento na Universidade Cornell (EUA). Assessor da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP);

Flávia Consoni, professora do programa de Mestrado e Doutorado em Administração - ênfase em Gestão da Inovação do Centro Universitário da FEI (Fundação Educacional Inaciana Padre Sabóia de Medeiros);

Hervé Théry, doutor em Geografia pela Universidade Paris I Pantheon - Sorbonne. Diretor de pesquisa no Centre National de la Recherche Scientifique e professor convidado na USP;

Joana Varon Ferraz, mestre em Direito e Desenvolvimento pela FGV;

Jorge Ruben Tapia, doutor em Ciências Humanas pela Unicamp (falecido em 2009);

Juliana Coli Munhoz, mestranda em Geografia Humana pela USP;

Kazuo Nakano, mestre em Arquitetura e Urbanismo pela USP, foi gerente de projetos do Ministério das Cidades;

Leandro Ribeiro Silva, doutorando em Ciências Sociais pela Unicamp;

Manuelito P. Magalhães Jr., economista;

Miguel Matteo, doutor em Economia pela Unicamp;

Vagner de Carvalho Bessa, doutorando de Economia na Unicamp e mestre em Geografia pela USP.

 

Livro

Com 368 páginas, em cuidadosa coedição da Imprensa Oficial e Editora Unesp,  a publicação Metamorfoses Paulistanas (R$ 120,00) já está disponível nas principais livrarias.  O livro conta com dezenas de mapas que permitem visualizar rapidamente as tendências  constatadas nas pesquisas e que são apoiados por gráficos e tabelas de dados inéditos.

11/07/2012

São Paulo viu pulverização evangélica na última década, mostra Censo 2010

Segundo o antropólogo Ronaldo de Almeida, da Unicamp e do Cebrap, o novo mapa da configuração evangélica da capital paulista é fruto da especialização. \"Há uma diversificação e uma maior infidelidade a uma instituição específica. O sujeito ainda se identifica principalmente como evangélico, mas hoje ele molda sua experiência religiosa. Quando quer ouvir um louvor com mais música, vai a uma igreja, quando quer cura, vai a outra, quando busca mensagem espiritual mais forte, busca outras.\"


AMANDA ROSSI, ESTADÃO DADOS - O Estado de S.Paulo

A cidade de São Paulo viveu uma pulverização evangélica sem precedentes na última década. Segundo novos dados do Censo, o número de evangélicos sem laços com uma igreja determinada aumentou mais de quatro vezes entre 2000 e 2010, enquanto a quantidade de fiéis que frequentam templos menores cresceu 62% nesse período. Juntos, esses dois grupos foram responsáveis por 96% do crescimento do rebanho evangélico da capital em uma década, de 825 mil fiéis.

Os evangélicos não determinados englobam tipos diferentes. Entram na conta os que se dizem apenas evangélicos, sem especificar a igreja ou a corrente, os que frequentam cultos diferentes e os que fazem parte de pequenas igrejas não pentecostais. Em São Paulo, o crescimento dos evangélicos não determinados foi tão grande que eles hoje representam a terceira maior corrente religiosa da cidade - perdem para os católicos e os sem religião, mas ultrapassaram a Assembleia de Deus, denominação evangélica que tem o terceiro maior rebanho do País.

Já a corrente dispersa formada por pessoas que frequentam templos pentecostais ou neopentecostais menores deixou para trás, em uma década, dois gigantes do pentecostalismo evangélico - a Igreja Universal do Reino de Deus e a Congregação Cristã do Brasil, que perderam fiéis.

Segundo o antropólogo Ronaldo de Almeida, da Unicamp e do Cebrap, o novo mapa da configuração evangélica da capital paulista é fruto da especialização. "Há uma diversificação e uma maior infidelidade a uma instituição específica. O sujeito ainda se identifica principalmente como evangélico, mas hoje ele molda sua experiência religiosa. Quando quer ouvir um louvor com mais música, vai a uma igreja, quando quer cura, vai a outra, quando busca mensagem espiritual mais forte, busca outras."

A antropóloga Diana Nogueira, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, faz um paralelo com pessoas que querem perder peso e vão migrando de médico em médico. "A religião fortalece e ajuda as pessoas, mas não resolve muitos dos desafios que uma vida de periferia urbana lhes impõe. Com isso, algumas dessas pessoas vão de igreja em igreja, buscando soluções", diz Diana.

Além da busca diversificada, há o surgimento de igrejas voltadas a nichos específicos, como a Crash Church Underground Ministry - que atrai roqueiros adeptos do thrash metal em seu templo no Ipiranga -, ou a Igreja da Comunidade Metropolitana, em Santa Cecília, voltada para o público homossexual.

"O crescimento das igrejas evangélicas menores é muito visível. São as chamadas comunidades. Seus fundadores são pastores que já pertenceram a igrejas evangélicas maiores", diz o vereador evangélico Carlos Apolinário (DEM).

Levantamento feito em 2008 pela equipe de Apolinário enumerou mais de 18 mil templos evangélicos em São Paulo, a maioria na zonas leste e sul. Ele estima que outras 2 mil tenham sido criadas desde então. Para se ter uma ideia, o total de paróquias católicas não chega a 500 na capital paulista.

Outros dados do Censo chamaram a atenção. A Assembleia de Deus teve um aumento de fiéis de 36% - menor que o da média nacional (46%). Já os evangélicos de missão - grupo que inclui batistas, luteranos, presbiterianos, metodistas e adventistas - tiveram uma queda de 13% em São Paulo e aumento de 11% no País.

Entre as pentecostais, o destaque vai para a perda acentuada de fiéis em São Paulo da Congregação Cristã (27%) e da Igreja Universal (37%), enquanto no País o rebanho de cada uma encolheu 10%. / COLABOROU BRUNO PAES MANSO

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