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Boletim Especial nº1 - 2014/2015

A imprensa e a política externa do governo Rousseff

Foi pequena a proporção de formadores de opinião que apoiou publicamente a política externa do governo de Dilma Rousseff no biênio 2014-2015. O percentual dos que o fizeram variou entre os anos, mas não foi superior a 20%.

O percentual dos artigos favoráveis à política externa da presidente Roussef variou segundo os diferentes veículos, nos dois anos analisados.

Posição frente à política externa

PRIORIDADE DADA À ORIENTAÇÕES GERAIS DA POLÍTICA EXTERNA (GOVERNO X IMPRENSA)

Após a extensa análise de artigos, editoriais e entrevistas de especialistas na parte que tange a imprensa e de discursos oficiais da presidenta Dilma Rousseff na parte que tange o governo federal durante os anos de 2014 e 2015 com relação à política externa brasileira foi possível a criação de campos comparativos para a melhor observação do comportamento da mídia e do governo em se tratando de política externa, principalmente no que se refere as diversas posições e temas do mesmo.

Posições dos discursos oficiais

Posições em 2014
  • 1Multilateralismo
  • 2Globalismo
  • 3Regionalismo
  • 4Universalismo
  • 5Nacionalismo
  • 6Unilateralismo
Posições em 2015
  • 1Cooperação
  • 2Globalismo
  • 3Bilateralismo
  • 4Universalismo
  • 5Plurilateralismo
  • 6Regionalismo
  • 7Multilateralismo
  • 8Nacionalismo
  • 9Unilateralismo

Posições dos Artigos de Mídia

Posições em 2014
  • 1Universalismo
  • 2Globalismo
  • 3Multilateralismo
  • 4Regionalismo
  • 5Unilateralismo
  • 6Nacionalismo
Posições em 2015
  • 1Globalismo
  • 2Universalismo
  • 3Cooperação
  • 4Bilateralismo
  • 5Multilateralismo
  • 6Plurilateralismo
  • 7Regionalismo
  • 8Unilateralismo
  • 9Nacionalismo

Ao longo do ano de 2014, tanto governo federal quanto os principais articulistas da mídia impressa brasileira (O Globo, Estadão, Valor e Folha de São Paulo) convergiram quanto às posições gerais adotadas pelo país. Posições mais universalistas e multilateralistas são dominantes em ambas as esferas como se pode observar. Assim como há uma convergência sobre a necessidade de abertura e universalização das relações brasileiras com outros países também há uma grande rejeição, por ambos, de posturas mais isolacionistas. Tal postura é evidenciada quando se percebe que posições nacionalistas e unilateralistas raramente foram apoiadas. Em uma posição houve, porém, uma grande divergência, trata-se do Regionalismo. Na análise dos discursos percebeu-se uma visão regionalista, assim como uma grande valorização de tais iniciativas, como o MERCOSUL. Já por parte da mídia se observou uma visão muito crítica da ação regional do governo federal, principalmente com relação ao MERCOSUL, visto como um entrave à ampliação das relações comerciais bilaterais.

No ano de 2015, as posições, tanto por parte do governo federal quanto por parte da mídia, mantiveram-se constantes: universalismo e multilateralismo receberam grande apoio enquanto as posições nacionalistas e unilaterais foram, praticamente, inexistentes. Não somente os pontos de convergência foram os mesmos, mas também o único ponto de divergência. O regionalismo continuou a ser uma posição adotada e defendida pelo governo, via MERCOSUL e CELAC, enquanto a mídia reiterou suas críticas, com foco na passividade brasileira no MERCOSUL frente às ações argentinas.

TEMAS MAIS DESTACADOS (DISCURSOS OFICIAIS E IMPRENSA)

Temas dos discursos oficiais

Posições em 2014
  • 1Protagonismo Internacional do Brasil
  • 2Relação Sul - Sul
  • 3BRICS
  • 4ONU
  • 5Negociações Comerciais Bilaterais
  • 6Mercosul
  • 7Negociações Comerciais Plurilaterais
  • 8Relações com a Rússia
  • 9Relações com a China
  • 10Relações com a África do Sul
  • 13Relações com a Venezuela
  • 15Relação Norte - Sul
  • 17Relações com a Argentina
  • 18Relações com a União Européia
  • 21Relação com os Estados Unidos
Posições em 2015
  • 1Negociações Comerciais
  • 2Mudanças Climáticas/Desenvolvimento Sustentável
  • 3Protagonismo Internacional
  • 4Negociações Climáticas
  • 5Negociações Tecnológicas/Educacionais
  • 6Sul-Sul
  • 7Norte-Sul
  • 8MERCOSUL
  • 9União Européia
  • 10Reforma das Organizações/Regimes Internacionais
  • 11Estados Unidos
  • 14China
  • 19Venezuela

Posições dos Artigos de Mídia

Posições em 2014
  • 1Relação Sul - Sul
  • 2Relação Norte - Sul
  • 3Negociações Comerciais Bilaterais
  • 4Protagonismo Internacional do Brasil
  • 5Relação com os Estados Unidos
  • 6Mercosul
  • 7Negociações Comerciais Plurilaterais
  • 8Relações com a Venezuela
  • 9Relações com a Argentina
  • 10Relações com a União Européia
  • 11Relações com a China
  • 12ONU
  • 13BRICS
  • 15Relações com a Rússia
  • 24Relações com a África do Sul
Posições em 2015
  • 1Protagonismo Internacional do Brasil
  • 2Relação Sul - Sul
  • 3Negociações Comerciais
  • 4Relação Norte - Sul
  • 5Relação com os Estados Unidos
  • 5Relações com a Venezuela
  • 7Mercosul
  • 8Mudanças Climáticas/Desenvolvimento Sustentável
  • 9Opinião sobre as Reformas das Organizações/Regimes Internacionais
  • 9Relações com a China
  • 11Relações com a União Européia
  • 15Negociações Climáticas
  • 21Negociações Tecnológicas/Educacionais

O ano de 2014 foi marcado por grandes embates entre a mídia (seus principais veículos impressos, O globo, Estadão, Folha e Valor) e o governo federal acerca da política externa brasileira. Dos dez (10) temas mais citados por ambos, apenas cinco encontraram convergência, e muitas vezes por motivos diferentes. MERCOSUL e relações Sul-Sul são dois temas muitos debatidos por ambos, mas enquanto o governo federal defendia suas iniciativas, a mídia era extremamente crítica com respeito ao que chamava de ideologização da política externa. Um dos pontos mais debatidos na mídia ao longo de 2014 foram as relações com a Venezuela, havendo reiterada condenação à passividade do governo brasileiro que não reagiu com a mesma energia ao rompimento da ordem democrática como quando ocorreu com o presidente Lugo, no Paraguai em 2012. Por parte do governo, foram poucos discursos que debateram tal questão, e quando houve algum foi para reafirmar a defesa da ordem democrática venezuelana. Outra grande divergência foi com as relações com os Estados Unidos, tema tido como prioritário pela mídia (rendendo a quinta posição) que enfatizou a importância de novas relações bilaterais entre os países, principalmente acordos comerciais que se provariam benéficos para ambos. A analise dos discursos releva que o governo tratou o assunto de forma diferente, as relações com os Estados Unidos ficaram na 21º posição, juntamente com as relações com a Palestina: menos de cinco (5) discursos fizeram referência aos EUA, esse distanciamento do governo, em parte também devido aos escândalos de espionagem da Casa Branca sobre o governo brasileiro, fomentou diversas criticas por parte dos articulistas na imprensa.

Além disso, podem-se observar assuntos como ONU, BRICS, MERCOSUL e negociações plurilaterais entre os mais mencionados pelo governo, deixando evidente uma abordagem predominantemente multilateral com relação aos acordos econômicos. Tal estratégia foi reiteradamente criticada pelos articulistas na imprensa que enxergavam nas relações bilaterais um método mais eficiente de fomentar e estimular o comércio, o que explica o acentuado número de artigos com esta temática, alcançando a terceira posição dentre os temas mais citados pela mídia.

Ao longo de 2015, podem-se constatar certas modificações com relação, principalmente, aos discursos proferidos pelo governo federal. Houve uma aproximação com as ênfases dos articulistas na imprensa: no ano de 2015 o número de temas que apresentaram convergência com a mídia subiu para sete (7). Relações Norte-Sul e negociações comerciais (principalmente Negociações Bilaterais) apareceram com mais frequência na agenda federal, temas estes que se mantiveram no topo da classificação da mídia em 2015.
Temáticas regionalistas continuaram com alta incidência nos dois canais de comunicação, mas por motivos diferentes, como no ano anterior. Na visão governamental o próprio fortalecimento brasileiro passa por um crescimento regional do MERCOSUL, da CELAC e do fortalecimento das relações Sul-Sul. Já a mídia continuou com sua visão crítica, sustentando que o regionalismo limitava o escopo econômico brasileiro, que devia por sua vez, aprofundar as relações bilaterais com os países do Norte.

A temática Venezuelana permaneceu forte na mídia (ocupando a sexta posição) com intensa reprovação ao governo por sua passividade frente aos acontecimentos no país. O governo brasileiro praticamente não fez menções à crise venezuelana, com apenas quatro (4) discursos tangenciando esta questão que permaneceu na 21º colocação. As relações com os Estados Unidos, em posições tão dispares na mídia e governo no ano de 2014, se aproximaram. O governo brasileiro se prontificou a aprofundar as relações bilaterais, por meio de acordos econômicos assinados entre ambos os países, e o tema da 21º colocação, em 2014, passou para a 11º no ano de 2015, uma clara demonstração de que houve uma preocupação do planalto em fortalecer as relações existentes com os Estados Unidos.

Por último, mas não menos importante, deve-se chamar atenção para a questão das negociações climáticas, tema de grande importância no ano de 2015 devido à realização da COP 21, em Paris. Por um lado, o governo federal usou o tema para afirmar seu protagonismo internacional. Inúmeros discursos foram feitos, ao longo do ano, reafirmando o compromisso brasileiro com a redução de emissão dos gases de feito estufa e do desmatamento ilegal. Isso concedeu ao tema negociações climáticas a 4º posição. Por outro lado, a mídia divulgou artigos esporádicos ao longo do ano, e uma concentração maior de artigos durante os dias da própria COP 21, levando o tema para na 15º posição.

Metodologia
Equipe
Maria Hermínia Tavares de Almeida Coordenadora (CEBRAP)
Leandro Piquet Carneiro (IRI-USP)
Pesquisadores bolsistas:
Amira Ferraboli
Camila Schipper
Meilian Higa Lee
Matheus Rogatis
Apoio FAPESP Projeto Temático O Brasil, as Américas e o Mundo
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