As últimas duas mesas das Jornadas Sesc Cebrap

As últimas mesas  das Jornadas Sesc Cebrap, mais um evento comemorativo da série #Cebrap50 anos, aconteceram nos dias 19 e 26 de setembro no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc.

No dia 19, o tema discutido foi mobilidade urbana com a presença de Eduardo Vasconcellos (Instituto Movimento) e Hannah Machado (Bloomberg Initiative for Global Road Safety), sob mediação de Victor Callil (Cebrap). Hannah Machado foi a primeira a se apresentar e deu um painel geral sob o atual e caótico estado das coisas em termos de mobilidade numa cidade como São Paulo e algumas soluções possíveis. “849 pessoas morreram no trânsito em São Paulo em 2018. Esse é um dos resultados desse modelo de cidade criado nas ultimas décadas. (…) A mobilidade precisa estar alinhada com o desenvolvimento urbano, mas atualmente os recursos públicos são destinados três vezes mais para o transporte individual que o coletivo. (…) Uma cidade saudável faz um uso mais eficiente do espaço. Por exemplo, uma rua orientada para carros tem uma capacidade para 12.300 pessoas/hora, enquanto uma rua multimodal tem capacidade para 30.100 pessoas/hora. (…) Ruas multimodais também geram menos feridos, menos atropelamentos, menos veículos em alta velocidade e um aumento nas vendas do comércio local. (…) As mulheres possuem um padrão mais variado de mobilidade que os homens. Nos homens, a mobilidade gira mais em torno do trabalho, enquanto as mulheres o fazem para trabalho, educação, família, etc”.

Já Eduardo Vasconcelos optou por desmitificar algumas verdades tidas como absolutas no assunto. “Na cidade de São Paulo não existem os tais 7 milhões de carros. Esse número na verdade é 40% a menos, algo em torno de 4 milhões, cruzando outros dados, veículos inativos, etc. (…) No caso de São Paulo, 650 mil veículos bastariam para um grande congestionamento. (…) Para cada autuação feita, mais de 4 mil não o são. Não existe a indústria da multa. (…) Infelizmente melhorar o transporte público não é suficiente para que as pessoas passem a usá-lo, pois tempo e custo de viagem de 7 km em grandes cidades do Brasil é o mesmo para carros e ônibus. (…) Nosso sistema viário foi feito com a mesma cabeça dos Estados Unidos, a de privilegiar os carros, só que aqui nem todo mundo tem como lá, e daí grande parte do nosso sistema viário é inútil. (…) Adensar a cidade é importante, mas levará décadas e não podemos esperar tanto. Propriedade da terra é obstáculo insuperável em muitos lugares, como por exemplo na Zona Leste de São Paulo. (…) Isso aqui eu já arrumei briga: dar prioridade ao efeito estufa é para país rico. Efeito estufa existe, mas nossos problemas mais urgentes são as mortes no trânsito, a poluição local e a acessibilidade à cidade (transporte coletivo de qualidade)”. Ouça abaixo a íntegra, em áudio, do debate.

No dia 26 de setembro, último dia das Jornadas Sesc Cebrap, o tema foi “Políticas públicas: análise e tendências inovadoras”. Com mediação de Maira Rodrigues (Cebrap), o assunto foi apresentado e debatido por Renata Bichir (Centro de Estudos da Metrópole/USP) e Fernando Nogueira (FGV/Prefeitura de São Paulo). Bichir falou sobre como pensar e fazer análise de póliticas públicas. “Pensar em politica pública é pensar em longa duração, é pensar no que está mudando, no que está permanecendo, mas política pública também é ter claro que tomadas de decisões podem acontecer, e geralmente acontecem, durante a implementação e não antes. (…) Processos de políticas públicas são complexos porque envolvem diversos atores, processos de longa duração, diferentes programas sob responsabilidade de diferentes níveis de governo, e disputas envolvendo valores, interesses, dinheiro, enfim”, afirmou.

Fernando Nogueira, que é integrante da Secretaria de Inovação da Prefeitura de São Paulo, começo sua apresentação falando justamente do termo “inovação” em política pública. “O termo está tão em voga por uma conjunção de fatores que podem ter vindo da iniciativa privada, da cultura das startups. (…) Quando a Secretaria de Inovação começou a gente se perguntava se a inovação seria pra fora da administração pública ou se seria pra dentro. Optamos pela inovação pra dentro do poder público”, disse. Ouça abaixo a íntegra, em áudio, do debate.

Leia também um pouco do que aconteceu na primeira mesa, na segunda mesa, na terceira mesa e na quarta mesa.  Em breve, os áudios de todos estes debates estarão disponíveis.

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