Conheça o livro Panorama Quilombola, organizado pelo pesquisador José Maurício Arruti

O livro Panorama Quilombola, com edição de José Maurício Arruti, pesquisador do Afro-Cebrap, foi lançado em dezembro de 2022. A obra é fruto do primeiro ano de trabalho do programa ‘Quilombos: memórias, configurações regionais e os desafios da desdemocratização’, desenvolvido pelo Núcleo Afro-Cebrap em parceria com o LaPPA – Laboratório de Pesquisa e Extensão com Povos Tradicionais, Ameríndios e Afro-Americanos da UNICAMP. Uma iniciativa, portanto, de letramento quilombola, ou aquilombamento da nossa forma de ler a realidade brasileira.

A primeira parte traz dois estudos sobre os Quilombos na Esfera Pública, amparados no levantamento, seleção, mensuração e síntese do que foi publicado na imprensa sobre comunidades quilombolas no ano de 2021. O primeiro estudo sobre o impacto da pandemia sobre as comunidades quilombolas. O segundo estudo com uma curadoria crítica da abordagem da imprensa, segundo os temas e regiões.

A segunda parte do livro é dedicada à Educação Escolar Quilombola. Assim, esta parte do livro é composta de uma longa entrevista com Givânia Maria da Silva e cinco textos curtos derivados de pesquisas sobre o tema.

A terceira parte do livro é dedicada ao extenso, complexo e urgente tema do Acesso dos Quilombos à Justiça. Novamente, esta parte começa com uma longa entrevista, na forma de uma roda de conversa com Sandra Andrade, Vercilene Dias e Maíra Moreira, seguida de cinco textos curtos, de divulgação de processos ou resultados de pesquisa sobre o tema.

O livro está disponibilizado pelo Portal de acesso aberto da Unicamp e o vídeo do evento de lançamento do livro pode ser visto aqui.

Acesse a publicação aqui.

Sobre o livro
O livro é fruto do primeiro ano de trabalho do programa Quilombos: memórias, configurações regionais e os desafios da desdemocratização, desenvolvido pelo Núcleo Afro-Cebrap em parceria com o LaPPA – Laboratório de Pesquisa e Extensão com Povos Tradicionais, Ameríndios e Afro-Americanos, do CERES (IFCH-UNICAMP).
Ele reúne materiais que ganharam uma primeira divulgação sob a forma dos Boletins Panorama Quilombola (BPQ) e de um dos volumes do projeto Desigualdades Raciais e covid-19, e acrescido de uma análise “panorâmica” final, que realiza um balanço da questão quilombola nos últimos anos.

E edição do livro é orientada pelo conceito de “letramento racial”, como de forma mais geral, o próprio programa Quilombos, que tem por objetivo produzir e tornar amplamente acessíveis abordagens da realidade quilombola, qualificadas pelo diálogo entre a militância e a academia, e destinadas ao uso tanto na universidade quanto fora dela, em experiências de extensão ou de formação dos movimentos sociais. O letramento quilombola, ou aquilombamento da nossa forma de ler a realidade brasileira implica na formação de uma postura crítica na leitura da imprensa cotidiana, das redes sociais, dos livros didáticos ou da realidade formal-legal brasileira quando abordam ou deixam de abordar as comunidades quilombolas. Temos em mente a formação de um leitor que seja capaz de perceber quando as comunidades quilombolas são deixadas de fora de processos ou abordagens que as deveriam ter em conta, assim como quando elas são incluídas nos discursos e práticas de forma preconceituosa, um leitor capaz, enfim, de apreender as informações sobre os quilombos de forma contextualizada.

O livro realiza isso de três formas: com a apresentação do monitoramento da abordagem do tema na mídia e com a produção de breves dossiês temáticos, que reúnem textos curtos de divulgação científica, e longas entrevistas com personalidades quilombolas.

O monitoramento da mídia constitui tanto um método quanto um objetivo em si mesmo, na medida em que temos em mente a preocupação de compreender como as comunidades quilombolas e seus representantes são representados na esfera pública e, em específico, como não poderia deixar de ser neste período assolado pela Covid-19, como eles foram abordados pelos poderes públicos e no espaço público no contexto pandêmico.
Os dossiês e entrevistas, por outro lado, foram dedicados a abordar dois temas que consideramos absolutamente estratégicos hoje.

A parte dedicada à Educação Escolar Quilombola é composta de uma entrevista com Givânia Maria da Silva e cinco textos, que dão notícia de pesquisas e mobilizações sobre o tema. Givânia tem um currículo extenso, que vai de professora de ensino fundamental a coordenadora de regularização fundiária dos territórios quilombolas do Incra, passando por vereadora, acadêmica, uma das fundadoras da Conaq e secretária nacional de Políticas para Comunidades Tradicionais da Seppir. Os artigos de divulgação são de Suely de Castilho (UFMT); Kalyla Maroum (UFRJ); Cassius Marcelus Cruz, Carla Pereira, Vanessa Gonçalves da Rocha e por Rosilene Komarcheski (Escola Estadual Quilombola Diogo Ramos – PR); e Gessiane Nazário e Vanessa Gonçalves da Rocha (CONAQ).

A parte dedicada ao Acesso à Justiça é composta por uma roda de conversa com Sandra Andrade, militante histórica, inspiradora do serviço de assessoria jurídica da Conaq, e com duas jovens advogadas que atuam diretamente nessa assessoria, Vercilene Dias (advogada quilombola de referência) e Maíra Moreira (advogada popular assessora da CONAQ e doutoranda em Dieito pela PUC Rio); seguida de 5 textos de divulgação científica sobre o tema, de Thaisa Held (UFGD) e Girolamo Treccani (UFPA); Isabela da Cruz (CONAQ); Matheus Leite (PUC-MG); Amanda Jorge e Alessandro Leme (UFF); e Alexander Pereira (Unicamp – Afro-Cebrap) e Lara Miranda (UFF – Afro-Cebrap).

Encerra o volume uma reflexão sobre as dificuldades e entraves que se impuseram e continuam se impondo ao reconhecimento e efetivação dos direitos das comunidades quilombolas desde 1988, mas em especial a partir de 2016.

O livro conta ainda com dois ensaios fotográficos, de Márcia Guena e Wanderson Andrade, que não só ilustram o livro, como oferecem uma narrativa visual própria. A descrição das imagens, a identificação dos autores e os seus textos de referência encontram-se na parte Sobre as Imagens.

Leia Também

A segunda edição dos Cadernos Afro Memória “Memória, representação e representatividade negra na política” conta com a participação de 13 colaboradoras e colaboradores: Aldair Rodrigues, Edilza Sotero, Fillipe Alves, Flávia Rios, Franco Nascimento, Gevanilda Santos, Guilherme Antunes, Guilherme Godoy, Gustavo Mesquita, Keisha-Khan Perry, Maria Júlia Ananias, Mário Medeiros e Wescrey Portes.

O Cebrap e seus pesquisadores foram destaque em diversas reportagens em importantes veículos de comunicação ao longo do mês de junho. Confira algumas delas a seguir. G1 – ‘Como é que alguém que dirige o sistema pode ser antissistema?’, questiona cientista social sobre acordo de Bolsonaro com CentrãoCom Marcos Nobre Leia aqui.  Folha de S. […]