Obra de Weffort (1937-2021) esteve sempre comprometida com o debate de questões centrais da vida nacional

Com imensa tristeza, o Cebrap recebeu a notícia da morte de Francisco Correa Weffort nesta segunda-feira (2/8), no Rio de Janeiro. Ele foi um dos fundadores de nosso centro, em 1969, e aqui atuou até 1976 quando criou o Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (Cedec), que dirigiu por muito tempo.

Foi responsável pelos estudos sobre sindicalismo e trabalhadores realizados em nossa primeira década de vida. A sala envidraçada, que ficava na entrada lateral da sede da Rua Bahia 544 era ocupada por ele e seus pesquisadores assistentes. Originalmente chamada “aquário”, como o tempo passou a ser conhecida na casa como “a sala da classe operária” ou simplesmente “a sala da classe”. Por lá passaram alguns dos muitos pesquisadores que Weffort formou: Fábio Munhoz, José Alvaro Moisés, Luiz Werneck Vianna, Maria Hermínia Tavares de Almeida, Regis de Castro Andrade.

Sua obra — desde os primeiros estudos sobre populismo ao último sobre o pensamento político brasileiro, passando por influentes ensaios sobre a democracia– foi importante e influente para além da academia, comprometida sempre com o debate de questões centrais da vida nacional.

Durante o regime militar, teve um papel destacado na construção de instituições que mantiveram a liberdade de pensar frente às investidas da ditadura militar. Além de participar da criação do Cebrap e de dirigir a formação do Cedec, foi um dos fundadores e primeiro presidente da ANPOCS (1977) e liderou a reconstrução da área de Ciência Política da USP destruída pela repressão, no começo dos anos 1970.

Como muitos de sua geração, foi um intelectual público engajado na oposição ao autoritarismo e político atuante, fundador e primeiro secretário-geral do Partido dos Trabalhadores (1980-1994), e ministro da Cultura na Presidência de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Weffort deixa família, amigos e alunos que muito lhe devem. Com eles, fica a lembrança da pessoa calorosa e bem-humorada e do intelectual de ideias firmes, que manteve intacta a crença na razão e grande abertura a opiniões divergentes.

(Foto: “Francisco Weffort em entrevista ao projeto Produção Cultural no Brasil” por Garapa – Coletivo Multimídia, usada com base em CC BY / Cores modificadas da original)

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